100 dias de gratidão

domingo, 30 de dezembro de 2012

2012

Domingo. Penúltimo dia do ano. Ano que está quase acabando mas não acaba nunca. Ano do vórtice. De rodar, rodar e rodar no olho do furacão para ao final mudar. Mudei muito. Nem de longe sou aquela que iniciou o ano, nesses 365 dias fiz o que havia prometido nos primeiros minutos de 2012, aprendi muito, ri um bocado, amei de verdade, fui amada. Nesse meado teve dores, saudades, dificuldades, enjoos mas eu consegui com que a poesia, os amores e as cores se mantivessem. Posso falar que com isso fiquei mais humana. Acredito que uma das maiores conquistas foi a capacidade de aceitar que há momentos que sozinha não me basto, que é preciso pedir ajuda e isso não é sinal de fraqueza, ao contrario, é grandioso reconhecer que o outro pode te ajudar, que o outro pode te acrescentar. E isso já valeu muito.

Esse ano só tem mais um dia, esse dia só tem mais sete minutos e eu não tenho tempo a perder. Minhas escolhas ainda são incertas, meus gostos indefinidos, meu futuro é só esperança. Mas quero começar agora, quero me encontrar já.


Para 2013 eu não farei promessas nem listas, só quero deixar aqui registrado que vou tentar com toda a minha fé a ser mais eu, a lutar por aquilo que amo e aquilo que me faz feliz, o resto será consequência. 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

e esse ano o papai noel não veio.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Para a menina de covinhas

E daí que um dia resolveram colocar uma criaturinha pra lá de espevitada na terra. Acho que os deuses estavam achando as coisas monótonas por aqui e lá veio você, a menina que tem intensidade como sobrenome.

Você é daquelas que explodem, que consomem, que devoram. Você quebra todos os tabus, de nudez, sexo, bebidas, loucuras. Você é a típica ariana, entra como um furacão e muda pra sempre o que toca. Tão forte, fez tanto sua presença que em dois dias eu já sentia sua ausência. E o melhor, sem esforço algum.

Gosto muito das suas histórias, suas carinhas, sua (des)conexão, suas motivações, seu modo franco ou exagerado, seu lado sombrio e, claro, o “ownt” que você faz com carinha de tiozinho abandonado.


Só pra lembrar, eu posso passar horas e mais horas fazendo carinho só pra mostrar quanto eu me importo com você.

sábado, 8 de dezembro de 2012

vórtice

Sabe aqueles dias em que uma coisinha pititinha causa uma catástrofe? Martha Medeiros, explica isso muito bem dizendo que já aconteceu de quase chorar por ter tropeçado na rua, por uma coisa à toa. É que, dependendo da dor que você traz dentro, dá mesmo vontade de aproveitar a ocasião para sentar no fio da calçada e chorar como se tivéssemos sofrido uma fratura exposta. Ontem foi assim, a dor e o cansaço era tanto que uma briga com uma pessoa indiferente me fez desaguar o mundo e sentir como se tivesse perdido alguém. De repente me deparei com um cansaço imenso, monstruoso, de lutar contra mim mesma, uma exaustão em lutar contra quem eu sou, de esconder e me fazer outra para poder ser aceita. Aceita por quem se nem eu mesma me aceito? E aí alguma coisa se rompeu, percebi que mudei tanto para caber em um lugar que me perdi nesse meio me tornando alguém que não sou, e não quero ser, apenas por medo de ser rejeitada. É hora de fazer uma escolha, continuar me matando por dentro em busca de uma aprovação que nunca vai vir ou pela primeira vez na vida ser eu de verdade, um eu tão guardado e amarrotado que vai ser preciso cuidado e dedicação pra tomar forma. E mais ainda é preciso saber que sempre que escolhemos algo, abrimos mão de várias outras coisas. E aí bate a dúvida: será que essa cidade, esse emprego, essas roupas são as melhores pra mim? Será que essa história de amor é a minha? Se essas perguntas forem feitas com medo, quem responde é a cabeça. Mas se forem feitas com amor, quem responde é o coração. E o coração nunca se engana. Por algum tempo tentei responder com a cabeça, e ela dizia que sim, que esse é o meu lugar, esses são os meus amigos e esse é o meu amor. Mas eu não estou feliz. Após muita resistência decidi pensar com o coração, e ele me diz que aqui não é o meu lugar, não agora. Coração não se engana, há tempos tenho me sentido sufocada, mudei muito e estou sentindo a sensação de que não caibo aqui, tudo me aperta, me limita. Depois de me dar contra disso pensei mil possibilidades, conclui que não adianta, o problema não é o lugar, não são as pessoas, o problema está comigo e com o rumo que dei para minha escolhas e meus sentimentos, não importa se eu esteja aqui, bali ou madagascar, ele vai comigo, por isso é preciso arrumar a desordem interior para, quem sabe, a exterior encontrar um caminho. O que sei é que perdi a mim mesma nessa noite, estou em um processo de luto, preciso arrumar forças para elaborá-lo. É preciso acreditar que a morte da pessoa que fui por 20 anos dói, mas continuar com ela estagnada vegetando doía ainda mais. É o que o grandiosíssimo Freud disse há mais de cem anos, “quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda”. Após essa elaboração é preciso dar lugar a esse novo, pois uma única certeza eu tenho, assim como Pessoa, cansei de deixar que “os factos mínimos, que antes mesmo a mim nada fariam, me ferissem como catástrofes”.

domingo, 25 de novembro de 2012

Mais de noventa textos, um blog, uma agenda abarrotada e uma vida cheia do mesmo assunto. É repetição.

Um dia vazio e sem sentido, duas discussões e muitas lagrimas por conta das compras do supermercado, o problema não é a marca do sabonete nem a fila do caixa. É apenas pretexto.

Aquele velho sentimento de vazio somatizado virando náusea, enjoo e cansaço. É a falta, de sentido e de amor.

Necessidade de conversar, de ser ouvida, de ser querida. É ausência de reconhecimento.
O que estou sentido é novo, usando minha sensibilidade sempre consegui fazer com que quem eu quero fique por perto, sempre me fiz necessária, dando exatamente o que a pessoa carecia, tapei buracos, dei afeto e escuta, de forma que a pessoa precise de mim e assim não se afaste.

Mas hoje isso não me basta, não quero ser necessária, não quero que a pessoa precise de mim, quero que ela fique por vontade, muito além da necessidade, quero que ela queira ficar.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

efêmero




É angustiante saber que não importa se será em uma semana, dois dias ou três meses, mas incontestavelmente aquilo que foi criado acaba. Um dia estamos trocando mais que intimidades, você lambendo os meus seios e eu conhecendo todas as suas cicatrizes. Aí de repente já não nos conhecemos mais na mesma música. Depois de meses mudei o meu prato preferido e você nem ficou sabendo. Depois de um ano troquei de telefone e nunca mais vi chegar uma sms sua de bom dia. E em mais algum tempo você não mais soube nada da minha vida. Eu também não soube mais de você, do seu suco preferido e do seu mais novo amor cinematográfico. E agora agimos como se não houvesse um passado mutuo, de forma que um dia desses nos encontramos em uma esquina e você apenas acenou educadamente e eu fingi que não me importava.

Mas o que podemos fazer não é mesmo? Já começamos sabendo que assim seria, pois tudo tem um prazo de validade, para tudo há um fim programado. E não me venha com aquele papo de que é eterno enquanto dure. Não aceito. Quero algo que dure eternamente, nem que seja na minha cabeça.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

desabafo

Anos sustentando relações vampirescas e de repente tudo se rompe. Vem aquele cansaço de ser sempre o estepe, de ser sempre aquela amiga que vai tá ali pra ouvir a qualquer hora, aquela que você pode ligar bêbado chorando 4 da madrugada que vai te ouvir, que pode mandar uma msg terça três da tarde que sai de onde estiver pra te dar colo. Não! Cansei. Pela primeira vez na vida quero ser cuidada, quero poder contar da minha vida sem ser interrompida pra ouvir reclamações de namorados, pais, faculdade. Porra, qualquer tipo de relação tem que ser uma via de mão dupla, e as minhas não estão sendo. Acredito que muito pela minha personalidade, de ouvir, cuidar, amparar, mas eu não ando ganhando nada, só estou sendo sugada, estão retirando tudo de mim e oferecendo muito pouco em troca, estou definhando. Tenho que cortar isso agora, enquanto ainda é tempo. E agora não adianta mais, já foi rompido esse campo, não dá pra voltar atrás, se você notar uma diferença no meu comportamento em relação a você é porque possivelmente você é um desses vampirinhos que tanto me sugou. Preciso de pessoas que se interessem genuinamente e verdadeiramente por mim, que me atenda em um momento de desespero, que se interesse pelo meu dia, que me pergunte sinceramente se eu estou bem, e independente de qual for a resposta esteja a fim de ouvir-me. Isso é só um desabado de quem está há tempos só ouvindo e acudindo os que me rodeiam, tentando agradar a qualquer custo por medo de perder, sempre falando sim pra tudo por medo de ser deixada de lado, mas enfim aprendi que aqueles que realmente se importam comigo vão continuar apesar do meu não, dos meus problemas e da minha cara feia, porque eu continuei e sempre continuarei por eles. Mas só por eles.

domingo, 14 de outubro de 2012

crônica do amor que já se foi

De: C.
Para: A.

My dear,

tenho sofrido tanto com essa sua visão sobre as coisas, minha menina sempre tão geniosa e incisiva nas suas colocações.

Preciso frisar mais uma vez que sim, você me fez muito feliz, que você me mostrou a luz quando estava tudo escuro, mais que isso, você trouxe cores. Você fala sobre eu ter cansado de ensinar, quando na verdade foi eu quem tanto aprendi contigo. Tá certo que sou bem mais velho, tenho mais vivencias, no entanto você me desarmou completamente, na sua frente eu era apenas um adolescente recém saído da puberdade tendo que descobrir o que fazer com uma porrada de sentimentos controversos. Tive que reaprender, pois você se mostrou diferente de todas as outras, e foi exatamente isso que me fez te amar. Tudo que eu sabia e tentava com você não dava certo, demorou até descobrir o seu segredo, nesse dia mesmo que você diz ter se apaixonado eu estava nervosíssimo sem saber o que fazer pra te ganhar, havia uma necessidade palpante de te ter, faria qualquer coisa que me pedisse. Eu já estava apaixonado. Daí por muito tempo foi alegrias, tinha o maior prazer em ver seu rosto interessado quando eu lhe contava minhas historias, morria de amores quando você aparecia de surpresa com esse jeito façanho de menina, sem contar no êxtase que era o nosso sexo. Fomos felizes. Mas concordo com você, nos perdemos pelo caminho, não sei quando e nem o porquê, acho que foi gradativo e quando nos demos conta era irreversível, já tínhamos nos machucado muito. Até concordo com você que hoje juntos somos dor, mas tenho que ressaltar que separados também é dor. Dor por não saber como você está, dor ao discar impulsivamente o seu numero mas desligar sem completar a chamada. Dor ao ir ao mercado e ver o brócolis tão verdinho, pronto pro seu prato preferido e não ter porque comprar. Dor em saber de você por outros. Dor. Mas não sei o que podemos fazer quanto a isso, é me machucando que acredito que você precisa viver outras experiências, conhecer outros gostos pra depois decidir o seu preferido. E ai quem sabe, minha menina, possamos viver em uma casinha colorida de Amsterdã, ouvindo Pink Floyd, bebendo vinho e fumando nosso cigarro enquanto eu cozinho pra gente. Quem sabe…

Com todo carinho e amor de sempre,


C.

crônica do amor que já se foi


De: A.
Para: C.

C,

como esquecer você, que veio tão impetuoso e me apresentou o mundo, o seu mundo. Você foi o primeiro, me moldou à sua forma e à sua medida, aproveitando as suas incontáveis e deliciosas experiências pra me ensinar, me impregnar e me fazer apaixonar pelas suas paixões, ou você acha que eu iria me encantar com Pink Floyd se você não tivesse me contado de maneira tão gostosa sobre o show deles que você assistiu na Inglaterra? Ou ainda que ostras se tornariam meu prato favorito se você não tivesse me oferecido de maneira tão sensual? E que dirá esse sonho arrebatador de morar no sul da Holanda vivendo de amor e embriagantes em meio aos campos de tulipas e aos cafés? Nada disso existiria sem você.

Você não sabe, mas me apaixonei por você no nosso segundo encontro, quando você atenciosamente me contou toda a historia do vinho que estávamos bebendo enquanto cozinhava, hoje posso confessar-lhe que não prestei atenção em uma só palavra, enquanto você falava de safras, cheiros e produção eu só conseguia pensar no efeito que esse homem extremamente sexy e tão a vontade na sua cozinha possuía sobre mim. Você me ganhou ali.  Mas infelizmente o tempo foi levando essa displicência e jovialidade que me fez cair de amores e foi mostrando um outro lado, mais duro, frio e sofrido. Um lado que não suportava mais nossas discussões casuais sobre caetano x chico, carlton x hollywood, que não via graça em beber vinho e falar banalidades. E tentando me adaptar a isso fui deixando pra trás as sutilezas, as surpresas e a emoção. De forma que perdemos o que a nossa relação tinha de mais especial, a leveza. Já não conseguíamos ser fogo e paixão, não conseguíamos beijar na boca e nos amar no chão. Ali já não era mais aquele homem de 40 com uma bagagem imensa de mil vidas vividas e uma menina de 20 querendo abraçar o mundo desse homem, casando perfeitamente. Éramos dois estranhos ainda apaixonados, se traindo e pedindo perdão por amar de mais. Era dor.

Por tudo isso, uso a frase daquela música triste “tornar o amor real é expulsá-lo de você para que ele possa ser de alguém”, quem sabe é isso que você precisa, pode ser que tenha se cansado de ensinar, de lidar com essa grande diferença de mundo e de vivencias e eu tenha me cansado de tentar ser uma pessoa que eu não sou, de tentar fingir ter uma idade que eu não tenho, quem sabe estamos prendendo o amor aqui dentro e impedindo que ele torne-se real. É com dor, meu querido, que eu falo pra você: vai tentar ser feliz, desejo de coração que você se encontre e volte a ser aquele homem livre e sorridente que conheci e me apaixonei.

Sua, sempre sua,

Ana

domingo, 23 de setembro de 2012

Desamparo aprendido

Há um experimento psicológico em que qualquer movimento que o ratinho faça ele leva um choque, de inicio ele tenta achar uma saída, mas é inútil, sendo assim, cansado de tentar, ele desiste de procurar um meio de fugir dessa situação ficando quietinho em um canto qualquer, movendo-se minimamente. Esse completo desanimo após todas as alternativas se mostrarem inúteis chama-se “Desamparo Aprendido”.


E é exatamente isso que estou vivendo. O último mês foi uma gaiolinha dando choque por todos os lados, tentei muito encontrar um lugarzinho livre, ameno. Foi desnecessário, estava cercada, então estou aqui inerte, desacreditada e cansada de lutar, só esperando uma mão vir aqui e desligar a porra da caixa.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Hoje encontrei aquela blusa antiga, mesmo depois de tantos anos (talvez décadas) ela ainda cheirava a felicidade.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

mentiras

Talvez esse tenha sido meu erro, sempre estive disponível demais pra você. Mas hoje foi a gota d’agua, depois que você me contou o que fez na noite passada eu fiquei com nojo, mas não de você, e sim de mim por ter deixado as coisas crescerem nessa proporção, asco por sempre, sempre mesmo, deixar escapar um pedido de atenção que nunca veio e nem vai vir. E é isso, se não fosse tão infantil hoje eu pediria que você me devolvesse as cartas que eu escrevi, o livro que eu dei, as músicas que fantasiamente ficaram marcadas por sua pessoa, os chocolates e poemas trocados, o tempo e a energia gastos com você. Mas além de infantil eu não teria coragem de fazer isso porque apesar de tudo eu ainda gosto muito de você.



Ao som de mentiras - calcanhotto

domingo, 16 de setembro de 2012

Muitas vezes me questiono se você não é uma mera invenção da minha cabeça doentia. Mas ai lembro do seu cheiro, do seu gosto e não, isso não pode ser invenção…
Sinto falta de me sentir querida, dos cheiros, dos carinhos, do cabelo bagunçado, de todas as pintinhas, dos sábados a tarde e de todas as surpresas da noite.

domingo, 2 de setembro de 2012

para uma moça bonita

Te conheço há pouco tempo, não tenho a menor liberdade com você, mas fui acometida por uma vontade estranhar de te cuidar, te olhar, te ouvir. Vejo você se fazendo de forte, a mais forte, sendo que lá no fundo o que você mais precisa é de um colo, de cuidado. Vejo você usando formas destrutivas para fugir de todos esses problemas, como se isso fosse resolver, mas no entanto só adia o confronto. Vejo você com um sorrisão na cara, mas nos olhos uma tristeza grande. Me reconheço em você, acredito que daí que venha essa vontade, como se eu me visse tanto nas suas atitudes que te ajudando estaria ajudando a mim mesma.


Mas como não temos intimidade fico aqui, de longe, te olhando e procurando uma forma de nos ajudar.

domingo, 26 de agosto de 2012

64 recados no mural do facebook
1 ligação
9 presentes
10 Torpedos
1 bolo
Vários abraços durante o dia
Um café da manha sozinha
Um almoço com a família e os amigos mais próximos
Uma tarde/noite maravilhosamente vergonhosa


E milhões de planos para os próximos 20 anos.

sábado, 25 de agosto de 2012

viva eu!

20 anos. Muita coisa. Tanta coisa que não sei nem por onde começar. Hoje adentro em uma nova década, estou aqui no mesmo ponto em que comecei, é o momento perfeito para um recomeço. Cansei de falar do passado, não quero mais. Quero pensar nessa nova fase. Pensar tudo que está por vir. Desejo me permitir olhar e escutar mais, chorar menos. Desejo ter menos medo e mais coragem de me entregar, a tudo e a todos. Desejo amar muito e ser ainda mais amada. Desejo malas feitas, viagens, mudanças, desejo ir. Desejo cores e amores. Desejo me encantar, escrever poemas e mandar cartas. Desejo conhecer o novo, desejo me conhecer e apreciar minha própria companhia. Desejo que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só. Desejo sofrer decepções, é elas que me farão crescer. Desejo ser coração. Desejo doer para que eu saiba valorizar as coisas que fazem bem. Desejo deixar marcas nas pessoas que trombo por aí. Desejo construir minha vida, minha profissão, minha família. Desejo muitas alegrias, todas elas. Não desejo ir dormir sem dizer “perdão” “amo você” “adeus”. Desejo nunca me esquecer de onde eu vim para que eu possa fazer o melhor para onde eu for. Desejo poder escolher. Desejo ficar bem. Amém.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nasci em agosto, mês onde tudo é – a gosto.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

18 foi a idade de resistir às tempestades. 19 foi a idade de mudanças. 20 será a idade de aperfeiçoar escolhas.

domingo, 12 de agosto de 2012

dia dos pais




Hoje é dia dos pais. E eu não estou feliz.

Meu pai sempre foi muito especial pra mim. Minhas primeiras lembranças são dele. Lembro com tanto carinho dos dias que ele chegava de viagem e eu ia correndo pra poder ganhar o maior abraço do mundo. Lembro das férias que eu sempre viajava com ele. Lembro com tanto amor das manhas de sábado em que, com toda paciência, ficava horas cozinhando comigo na minha fornalhinha.

Nós dois sabemos que alguma coisa mudou entre nós, não sei exatamente o que e nem soubemos lidar com essa mudança. Me dói muito pensar nele, dói pensar nas seis quadras e nos cinco anos que nos separa. Me deixa triste pensar que nesses cinco anos fiquei mais fria, mais dura e que isso nos distancia cada vez mais. Fico muito, muito, muito triste em pensar o rumo que a vida dele tomou, fico tão mal quando penso nisso que, como boa covarde, me afasto, o que faz com que ele fique ainda mais triste.

Sinto tanta falta do convivo diário. De tomar café com o miolinho do pão de manha, da galinha do almoço e do churrasco da tarde. Sinto falta de vê-lo chegar de viagem. Sinto falta de ir pra roça com ele. Sinto falta das músicas que ele ouvia e dos programas de tv que ele me fazia assistir, e que eu fazia manha mas no fundo gostava.

Mas uma coisa eu tenho certeza, ele sempre vai ser aquele que eu mais amo e me preocupo. Que me trazia chocolates sempre que voltava pra casa. Que me liga pra saber como eu estou. Que nunca me deu uma bronca sequer, me apoiando em tudo. Que me fala constantemente que eu sou a pessoa mais importante da sua vida e que me ama mais que a todos. Que se orgulha muito de mim e carrega uma foto minha pra mostrar pra todo mundo. Que nunca mediu esforços pra me ver feliz.

Foi com ele que ri tantas vezes e por ele chorei tantas outras. É por ele que eu continuo buscando ser feliz. Ele sempre vai ser o meu orgulho. Sempre vai ser o meu paizinho.



segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sobre perdas, passagens, aprendizados e saudades

Cazuza disse com maestria que a vida é bela e cruel, despida; tão desprevenida e exata que um dia acaba. Essa é a única certeza absoluta que temos, mas porque ainda assim não nos conformamos com ela? Não sei, o que sei é que mesmo com essa certeza que nos acompanha desde sempre a morte nos pega desprevenidos.

Há aquele velho dito que fala que enquanto é você que lê/ouve o noticiário de óbito está bom. Não concordo, claro que prezo pela minha vida acima de tudo, mas ao mesmo tempo ser notificado da morte de uma pessoa querida é uma das coisas mais doloridas, se não for a mais.

Junto com a noticia vem a certeza do nunca mais; nunca mais ver a pessoa; nunca mais ouvir a sua voz; nunca mais sentir o seu cheiro e o calor do seu abraço; nunca mais dói muito.

Ela nos deixa sem reação, temidos e com sentimento de impotência por não ter nada a fazer. É um desamparo, um não saber como vai ser sem a pessoa. É reaprender a viver com a ausência e ir sobrevivendo até que o tempo transforme tudo isso em saudades para que nós, que ficamos, possamos reaprender a andar pelo tempo, amando e tentando ser feliz a pesar de, para que um dia, quem sabe, possamos todos nos reencontrar.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

descobertas

Não sei quase nada sobre você. Não sei o que pensa da vida. Não sei se prefere sorvete de chocolate ou de morango. Não sei como anda seu coração hoje, que dirá do seu primeiro amor. Não sei seu escritor favorito. Não sei o que você acha de politica e de religião, nem sei seu par de meias favorito. Não sei o que te levou a ser o que é hoje, na verdade nem sei quem você é. Como cantou Zeca “Nem mesmo sei qual é a parte da sua estrada no meu caminho, será um atalho, ou um desvio?” Não sei. Mas sei que quando penso em você abre um sorriso no meu rosto. Sei que só o fato de você me cumprimentar já basta pra eu ficar feliz, e quando você se aproxima ganho meu dia, quiçá a semana. Adoraria um dia sentar e conversar com você sobre tudo isso, conhecer coisas importantes que queira me contar e, principalmente, coisas banais, mas que dizem muito de ti. Mas não importa se isso não for possível, me contento em ficar brincando de descobrir coisas sobre você e ficando sempre com um sorriso bobo no rosto a cada vez que achar ter descoberto algo novo.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sinto saudades das nossas tardes juntas. Saudades das implicâncias bobas, dos abraços de reconciliação e dos passeios domingo à tarde. Saudades das mensagens no meu celular de manhazinha, durante a tarde e antes de dormir. Saudades dos toquinhos só pra mostrar que estava pensando em mim. Sinto saudades dos programas em família, de inventar receitas e subir no meu telhado pra ver as estrelas mais de perto. Sinto saudades de como éramos antes da primeira briga, antes de eu ter sido precipitada e impulsiva. Saudades do seu cheiro doce, das suas covinhas e da sua risada. Saudades de você.


Sinto saudades, mas não vontade de voltar.


[re]encontro

Reencontrei-a dias atrás, olhos pintados, cabelo cortado, unhas pretas. Nos pés, um par de sapatos de salto alto. Brincos coloridos emolduravam o rosto agora de mulher. Os trejeitos eram outros, como se tivesse pego emprestado um pouco de cada homem que conheceu nesses longos anos em que estivemos sem nos ver.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Me pediram pra descrever um lugar que me desse a sensação de paz, vamos lá:


Então, é um quarto que me passa uma sensação de calma, de aconchego e, porque não, de felicidade. Ele tem três paredes brancas e uma toda colorida, com umas pinturas legais. Tem a mesa com o computador, vários trecozinhos fofos e um cinzeiro de bichinho, também colorido. Tem alguns porta-retratos com fotos de pessoas importantes e um com uma foto só nossa. Tem uma poltrona vermelha que tá sempre cheia de roupas/livros/sapatos. Tem a mesinha da televisão que é preta com algumas garrafas vazias de cerveja usadas como jarrinhos de flor. Na luz tem pendurado duas borboletas de origame que eu fiz e dei de presente, uma rosa e uma laranja. E tem a cama, que tá sempre com uma colcha laranja e vários travesseiros, é uma cama de solteiro mas que comporta muito bem duas pessoas abraçadinhas. Eu amo esse quarto e amo a pessoa dona do quarto.

domingo, 24 de junho de 2012

Mês passado fez seis anos que nos conhecemos e eu não me lembrei no dia. É curioso como a gente foi se perdendo, como não me lembro mais da sua voz nem do seu perfume e tenho apenas uma vaga lembrança do seu sorriso de canto de boca. Mas em contrapartida é impossível comer uma banana com canela e queijo e não me lembrar de você, impossível ver trechos daquela serie antiga e não em lembrar das tarde aqui no sofá de casa. Isso mostra que mesmo eu tendo te perdido nos meus pensamentos e diminuindo cada vez mais o seu espaço pra outras pessoas entrarem o seu lugar continua aqui. Posso até não me lembrar do aniversário de seis anos, mas vou me lembrar do de seis anos e um mês, mostrando que esse lugar, mesmo pequenininho, sempre será seu, porque você sabe que foi o primeiro beijo reciproco, minha primeira companhia, minha alegria, sabe que foi amor, dos mais verdadeiros.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

para alguém que eu nem sei mais quem é

Estava pensando na gente esses dias. Achei triste como de um dia para outro perdemos tudo que tinha sido construído em um ano e meio de convivência. Pensei até que estava sendo mais rancorosa que a situação pedia, mas eu não consigo mudar o que eu sinto, não adianta. Posso até estar errada, mas você não imagina o quanto foi dolorido ouvir tudo aquilo vindo de você que eu tanto amava. Sabe aquela velha frase “verdade sem amor é crueldade”? Pois é, foi bem isso que aconteceu, você me jogou a sua verdade de uma maneira muito dura, você se colocou em um lugar tão superior, como se só eu fosse a errada, a nojenta, a suja, a que tem problemas, e sem nenhum amor me julgou de uma forma severa que me pegou totalmente desprevenida, fiquei sem reação, você foi cruel. Pra falar a verdade nem sei o porquê de estar escrevendo isso, às vezes sinto que fico remoendo aquela conversa, aquele olhar de julgamento, aquela frieza e isso me faz mal.. Me faz mal principalmente pensar que veio de você, uma pessoa tão doce e tão amável, naquele dia eu não te reconheci. Mas isso já não importa.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

De um modo geral esse ano a morte esteve muito presente, vi mães enterrando seus filhos, pessoas perdendo seus amores, amigos sepultando amigos, filhos dando adeus a seus pais. E isso fez com que eu estivesse pensando nela, nos seus desenhos e consequências, no quanto dói o sentimento de injustiça deixado por ela.

Não consigo pensar em dor maior que a dor ao perder alguém que se ama e assim ter que conviver dia após dia com a certeza do nunca mais; nunca mais ver a pessoa; nunca mais ouvir a sua voz; nunca mais sentir o seu cheiro e o calor do seu abraço; nunca mais é o que mais dói.

É uma ferida aberta que lateja e arde dias ímpares e dias pares. É um buraco, uma falta, uma ausência que ninguém nem nada poderão preencher. É uma vontade de mandar tudo a merda pois não há como se conformar que o sol continua a nascer mesmo sem o seu querido aqui. É a certeza que aquele vinho que ele tanto gostava a partir de agora será sempre amargo, é a certeza de que aquela música linda que ele gravou pra você vai te ferir como um punhal, é a certeza de que os almoços de domingo e as tardes de terça nunca mais terão cor. É o sentimento de que se fez pouco, de ter economizado nos ‘eu te amo’ e nos abraços.

Aí vem o momento em que o choque passa, que os pensamentos voltam em ordem e que se tem a consciência de que é necessário seguir em frente, de que é preciso continuar apesar da falta de um membro quase vital. A crueldade de ter que apagar o número do celular, o endereço do email e das redes sociais. Um misto de desespero por não saber como vai ser junto com a certeza de que se terá que reaprender a andar pelo tempo, a amar, a viver. É um acostumar com a vontade de ligar só pra contar do dia e não ter como, é se acostumar que a pessoa não vai mais viver as coisas que antes vocês viviam juntos. É acostumar a existir num mundo que ele não existe mais.

E quando finalmente se consegue dar um passo, um sorriso, a sentir um rastrinho de alegria vem a culpa devastadora, pensamentos latentes de “é errado eu estar sentindo alegria diante do que aconteceu”, “como eu posso estar sorrindo se ele não ta mais aqui pra rir dessa historia comigo”  ou “me sinto péssimo em sair e me divertir, ela iria adorar essa festa”.


E nesse momento é vital que se consiga lidar com esses sentimentos para que o tempo transforme, aos poucos, a dor em saudade. É preciso acreditar com toda fé que a pessoa querida continua viva dentro de ti, que sempre irá existir as lembranças e o amor, e que por isso se deve continuar, você deve isso a pessoa.

domingo, 10 de junho de 2012

bilhete

Eu sei que prometi não lhe escrever mais nenhum bilhetinho, mas eu também sei que você sabe que promessas não são o meu forte, sendo assim, estou aqui escrevendo pra ti esse pequeno recadinho de adeus. Desnecessário, você pode achar, acontece que essa é minha forma de mostrar o que eu sinto.

Então vamos lá: eu teria te amado pra sempre. Mas você fez de tudo, tudo mesmo, pra que isso não acontecesse. Sabe aquele ditado que diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”? Pois é, está errado. Eu só queria carinho, afeto, cinema, abraços e ganhei indiferença, muita. E hoje percebi que cansei de “bater em pedra dura”, estou, só agora, fazendo o que você varias vezes pediu que eu fizesse, indo embora.


Aqui lhe deixo o meu tchau, sem magoas e sem rancor mas também sem amor.

terça-feira, 5 de junho de 2012

bilhete

H.

Tenho vontade de em um dia qualquer te parar na rua, ou pelos corredores da faculdade, só pra dizer o quanto te acho linda.

Te vejo de longe, sempre descontraída, leve, sensível. Te procurei em algumas redes sociais e, por tudo que você escreve, curte, mostra, me parece que você é uma menina culta, inteligente e com um ótimo gosto pra músicas, filme, livros, roupas, apesar da sua pouca idade. Além de boa amiga, sempre preocupada e afetuosa.

Sabe que eu sempre procurei uma coisinha estranha nas pessoas, a compatibilidade, é meio que procurar eu mesmo nos outros, ou algo bem parecido. Você tem o que eu procuro e eu sei disso sem nunca termos conversado.

Um abraço e até qualquer dia.


Marina.

sábado, 19 de maio de 2012

O grande espetáculo



Desde sempre uma de suas maiores paixões é o circo. Uma lembrança antiga que tenho é a cena de nós duas chegando a um deles, bem grande, cheio de luzes, trailers, jaulas, comprando pipoca e maçã do amor, arquibancadas, leões e palhaços. Tão antiga que ainda havia animais, muitos, e eles eram sua atração favorita. Lembro-me que sempre chegávamos mais cedo para sentarmos em um lugar com visão ampla, não podíamos perder nada. Cenas que nem essa se repetiram por muitas e muitas vezes. Sempre achei bonito ver os seus olhos verdes brilharem assistindo as apresentações. Acho bonito como você vibra, aplaude, se amedronta, sorri. Você se entrega ao circo de uma forma única. Acredito que toda essa paixão deva vir da sua fantasia sobre a liberdade que se tem quem mora no circo. Você sempre tão livre deve se encantar muito com essa coisa de não se prender a lugar algum, de chegar a uma cidade qualquer, encantar, fazer sorrir e em seguida partir. É um recomeçar sempre, recriar a cada momento. É poder ser uma a cada espetáculo. O circo em si é muito bonito, ele traz consigo ilusão, felicidade e fantasias. O circo lembra esperança. Ali durante aquelas duas horas de espetáculo se vive uma vida, ali se acredita em mágicos, se encanta com animais espertos, vive a adrenalina de acrobatas e equilibristas, sente a alegria mais pura dos palhaços. É tudo muito bonito. Mas tem o segundo ato, quando as luzes se apagam e a lona cai, tenho por mim que você não gosta de pensar nesse momento, pois ele acaba com essa magia tão bonita, mas é importante pensar que nas suas horas de folga o palhaço chora, a bailarina quando lava o rosto tem uma tristeza que mostra os sonhos perdidos, os equilibristas treinam a corda bamba em constante repetição sem um único sorriso ou gesto de comemoração. É sempre a mesma coisa, pra eles não há renovação. É importante olhar para esse outro lado, é importante para que possamos ver que toda moeda tem duas faces, que mesmo um palhaço triste pode fazer outro rir. Isso é o bonito. Assim como é bonito o fato de que no seu momento de vida mais triste fomos ao circo, é como diz aquela música antiga “A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar”. E no circo o meu show preferido e mais bonito é ver os seus olhos verdes brilharem com o espetáculo a sua frente.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cá estou ilhada na bagunça do meu quarto, depois de cinco anos resolvi mudar tudo, isso aqui já não me cabia mais. E entre uma parede pintada, um armário esvaziado, uma cama fora do lugar encontrei tanta coisa que eu não me lembrava, coisas que não precisavam ser vistas e coisas que me deixou com muita saudade. É engraçado pensar o rumo que tudo tomou. Confesso que foi indiferente encontrar uma foto do que a gente pode chamar de primeiro amor, é estranho ver depois de tanto tempo uma pessoa que foi tão importante, causadora de inúmeros sentimentos bons e outros nem tão bons e nada sentir. Nada; Numa carteira velha encontrei um cartão de aniversário do ano de 2002 do meu paizinho me desejando felicidades porque amor eu já tinha muito. Foi feliz ler isso, é muito bom me lembrar que posso carecer de qualquer coisas, mas amor eu sempre vou ter, e muito; Foi no mínimo desconfortável encontrar um cd de fotos de 2008 e ver que aquelas pessoas que me fizeram tão felizes hoje não significam nada pra mim. Na ultima gaveta da estante, aquela mais escondida, encontrei uma carta de amor que deveria ter sido entregue mas que por algum motivo não foi. Senti vergonha da forma apaixonada e exagerada com que eu me declarava, botando aquilo, que hoje acredito que nem era amor, acima de qualquer coisa. Agradeci mentalmente nunca tê-la entregue. E encontrar aquela blusa de frio branca que tantas vezes foi emprestada para uma pessoa muito querida foi bom. Foi gostoso me lembrar daquele tempo, daquela alegria gratuita e amor displicente que vivíamos. Deu saudades, mas não vontade de voltar.
É interessante ver que tudo passa, que coisas que já significaram muito hoje não passam de recordações velhas. Que outras que foram muito importantes continuam sendo e sempre serão, mesmo que seja só na lembrança. É interessante ver o quanto mudei nesses cinco anos. E como isso é refletido aqui, nesse pequeno quarto que foi palco de toda essa história.



Also: depois de ter escrito esse texto breguinha encontrei aquela velha borboleta do meu mural e pude perceber o óbvio: não sou mais a mesma, mas ainda sou e sempre serei a mesma.

adeus você

Vivemos tudo de mais lindo que duas pessoas podem viver juntas. Conhecemos os melhores prazeres, melhores gostos, melhores sentimentos. Fomos muito felizes. Fomos amigos, fomos amantes. Acreditamos que éramos feitos um pro outro. A gente se dava tanto que nem se dava conta do resto do mundo. E um dia você decidiu, sozinho, que isso já não te sustenta mais. Decidiu que tem que ir embora. Sem brigas. Sem mágoas. E, como se não bastasse, teve a coragem de dizer “Vê se te alimenta e não pensa que eu fui por não te amar”. Cara, isso é a pior coisa que poderia ter sido dita. Já nos amamos loucamente, já fomos um só. Conheço cada detalhezinho do seu corpo e você conhece cada fio do meu cabelo. Como que você pôde ter a ousadia de mandar eu me alimentar e ainda dizer que foi, mas não foi por não me amar. Covarde. Foi por que então? Foi porque é fraco e nunca teve coragem de dizer o que pensa. Nem mesmo agora, no final, tem coragem de dizer a verdade. Foi porque não aguenta mais meus dramas? Foi porque nosso sexo não encaixa? Foi porque quer ter filhos? Qualquer coisa, menos essa desculpa que você deu.


Só uma última coisa: Vai! Mas vai pra puta que te pariu.

Sobre o tempo e suas caras

É meio louco e agonizante pensar no tempo. Tempo esse que passa e a gente muda, a gente muda enquanto o tempo passa.

Ele é estranho quando penso que já passei metade da minha faculdade, que no final de dois anos eu já terei encerrado essa etapa tão importante da minha vida. É incerto se penso no que virá depois, são tantos planos, tantos desejos, tanta esperança de um futuro bom, mas há o medo de fracassar, de mais uma vez não ter coragem de fazer o que eu quero.

O tempo pode ser injusto quando resolve brincar com os casais apaixonados, quando, com o seu passar, leva esses casaizinhos que outrora trocavam intimidades e juras de amor a tornarem-se simplesmente dois estranhos. Mas também é compreensível naqueles momentos em que com muito afinco algumas coisas foram negadas.

Ele pode ser muito confortante quando penso na forma em que coloca as coisas no lugar, como naquele velho ditado “o tempo é o melhor remédio, cura tudo”. E ele, em sua forma, cumpriu isso direitinho, colocou tudo em um lugarzinho apropriado. Em contrapartida, o tempo é maquiavélico nos levando a esquecer de coisas que deveriam ser inesquecíveis. Me fez esquecer o barulho gostoso da gargalhada da minha avó, o cheiro bom de um perfume que foi importante, esquecer dos meus desejos e esquecer o quanto era gostoso aquele abraço.

É muito egoísta, parece que por graça demooora a passar quando esperamos por alguém que há muito não encontramos e quando, enfim, estamos com a tal pessoa passa ligeiro ligeiro, brincando com a gente.

E, por fim, ele é um lindo quando me permite usar uma semana inteirinha, 168 horas, só pra mim, sem ter que encontrar ninguém que eu não tenho vontade, sem ter que dar satisfações, sem ter que me preocupar em correr pra não perder o ônibus, sem ter que fazer nada, apenas poder ficar o dia todo pensando na vida, nos planos, no tempo.


[ao som de O Tempo – Moveis Coloniais de Acaju]

domingo, 29 de abril de 2012

Uns dias atrás nesse momento eu estaria soluçando de tanto chorar, mas hoje pela primeira vez eu não chorei. Estou aqui deitada no escuro atônita diante de tudo. Com um sentimento de cansaço, como se eu já tivesse chorado demais por isso, já tivesse gastado energia demais com uma coisa que não muda nunca e nunca vai mudar. É uma briga sem sentido. Nada nos aproxima, nada nos encanta, nada nos orgulha. E, no entanto, não nos afastamos. O que nos sustenta?


Tenho medo de descobrir…
Hoje é sábado ou domingo? Acho que segunda. Não sei, estou perdida. Antes fosse apenas no dia da semana, comprava um calendário e pronto, problema resolvido. Mas isso é só um reflexo de todas as outras coisas. Veja bem, estou perdida com relação as minhas maiores certezas. Não sei se quero ficar aqui. Não sei se ainda gosto de sorvete. Não sei se amo minha família. Não sei se me amo. Não sei por que faço as coisas que faço. Não sei se ainda gosto tanto assim de psicologia. Não sei se acredito em deus e nos homens. Não sei se gosto da pessoa que estou em tornando. Não sei se quero essa vida pra mim. Não sei se consigo suportar. Só sei que preciso me encontrar.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

J.

É engraçado porque a uma primeira vista somos completamente opostas, em tudo, mas quando vamos nos aproximando pode-se perceber o quanto tempos em comum. Gostos parecidos, conflitos familiares parecidos, uma tentativa (por vezes furada) de demonstrarmos uma força que não temos, uma renuncia   de sermos cuidadas quando o que mais precisamos é de alguém que nos ponha no colo. Nos aproximamos por acaso, num momento trash da minha vida, em que, na ocasião, você me falou coisas que eu nunca imaginava ouvir de você, coisas sobre uma marina que eu nem acreditava mais existir. E foi muito bom. A partir daí fomos trocando confidencias, histórias até nos tornarmos amigas. E foi quando eu te contei uma coisa minha que era, literalmente, uma cilada, você veio e me puxou pro chão, foi racional e me contou muito bem sobre o que eu estava planejando fazer, contou das coisas que sabia a respeito e me avisou que eu não sairia muito bem dessa história. E vendo que eu continuava irredutível mesmo depois dos avisos, você veio e fez o que uma amiga faria: me apoiou. Mesmo sabendo que eu estava escolhendo um caminho difícil e que eu sairia ferida no final, você ficou ao meu lado. Claro que sempre me dava broncas, me mostrava a realidade. Mas era o seu jeito de demonstrar que estava ali preocupada comigo, que não queria me ver mal. Foi nesse momento que eu vi que você gostava de mim como amiga. E isso se tornou uma característica nossa, não nos poupamos, falamos o que tem que ser dito, mesmo que doa. E isso é muito bom, porque em grandes momentos alegres e momentos muito tristes perdemos a razão, e é de grande importância ter alguém que nos mostre ou devolva ela.


É isso, queria por meio desta carta agradecer por ter me olhado e visto coisas em mim que muita gente não consegue ver. Agradecer por sempre ouvir meus incontáveis e exagerados dramas. Por me apoiar mesmo sabendo que eu vou me fuder. Por gostar de mim, assim, desse jeito toda errada que sou.

domingo, 22 de abril de 2012

dos arrependimentos

Lembro que eu te ligava em um dia qualquer pra gente contar histórias e rir de bobeiras. Passávamos horas ao telefone e nem percebíamos. Lembro como era belo seu sorriso e como sua voz era doce, como você era divertido, mesmo quando me irritava. E te digo que por várias vezes vinha uma vontade de dizer te amo, mas hesitei em muitas delas, porque eu sempre achei “eu te amo” forte demais para ser dito assim ao acaso. Sempre começávamos a falar de música, fugindo do assunto “nós”. Perguntava se você já tinha ouvido o novo disco dos Infernais e comentávamos faixa por faixa , riamos e daí eu falava que tinha que desligar, afinal de contas é sábado, e eu nunca ficava em casa aos sábados. Não que eu queria realmente desligar, poderia ficar conversando até o amanhecer de domingo, mas é que precisava falar que ia sair com amigos, era uma maneira de dizer “veja só como estou bem mesmo sem você, vou aproveitar o meu sábado”. Você dizia que “tudo bem”, que ia se arrumar pra sair com seus amigos; eu dizia “tchau” e mandava um beijo, você mandava outro e desligava sem mais rodeios. Ficava meio que com raiva por você não ter dito “não desliga agora não, vamos conversar mais um pouco” ou qualquer coisa do gênero. Ainda segurando o telefone e ouvindo o “tum tum tum” irritante na linha, pensei muitas vezes  em rediscar seu número e perguntar se a saudade era recíproca. Mas não. Respirava fundo, esboçava um sorriso e dizia a mim mesmo: te amo, mas não te necessito, como me arrependo disso.  E na sua despedida, quando vc já estava com as malas no carro, pronto pra ir embora e eu disse: “vai lá tentar ser feliz”, mas acontece que os meus olhos, o meu peito e as minhas mãos trêmulas em suor frio diziam “fica aqui comigo eu quero fazer isso por você”.

quinta-feira, 19 de abril de 2012



Sabe aquele frio na barriga só de ouvir o nome da pessoa? Aquela coisa de pensar nela 25 horas por dia? De falar duas horas seguidas no telefone e ainda ser pouco? De dividir pipoca sentados na pracinha conversando banalidades e ser a melhor coisa do mundo? Sabe aquela coisa de ver uma maçã e se lembrar da pessoa, ver um papagaio e lembrar, ver uma propaganda e lembrar? Sabe quando um minuto longe é muito tempo e uma hora junto é muito pouco? Sabe quando as mãos já estão cansadas e suadas, mas você não quer soltar por nada? E sabe o que é encontrar a pessoa cedo e quando perceber já está escuro com uma lua grande no céu? Sabe aquilo de escrever a letra do seu nome junto com a letra da pessoa no carro sujo, no cantinho do caderno, na árvore? De ficar vendo fotos e se reapaixonando por cada detalhezinho? De emprestar sua musica favorita pra pessoa? De ficar contando os segundos que faltam para reencontrá-la? Sabe quando você gosta tanto de alguém que quer gritar isso pra todo mundo ouvir? De passar horas fazendo planos na cama antes dormir? E quando você gosta tanto, tanto, tanto que não basta ter a pessoa ao seu lado, é preciso ter dentro de você?

É disso que eu tô falando.

sábado, 31 de março de 2012

Saudades de você Marina. Saudade do seu jeito “maluco beleza” de viver a vida. Me faz falta aquela menina que gosta de poesia, de madrugada, de livros, de chuva e que tenta convencer os outros de que isso é a coisa mais linda que há. Sinto falta da sua espontaneidade de fazer os outros sorrirem e da leveza de saber rir de você mesma. Mas o que eu mais tenho saudades é da menina de bom coração, cheia de sonhos e planos que habitava aqui, e que hoje está tão longe adormecida por aí.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Duas e meia da manhã. Mais uma madrugada sozinha. Onde minhas únicas companhias são minhas magoas, meus amores fracassados e Bethania no rádio.

[de]coração

Na parede do meu quarto tem escrito em letras garrafais “Tudo que eu tenho/ Tudo que eu sou” e em volta fotos de amigos, família, artistas, ídolos, letras de musicas, poemas, imagens bonitas. E por serem coladas com fita crepe elas teimam em cair sempre, e eu, mais que depressa, as colocava no lugar pra que não ficasse nenhum furo na parede. Mas acontece que há algum tempo elas têm caído e continuado no chão, ou em alguma gaveta perdida das muitas que minha estante comporta. Fui pensar sobre isso, e cheguei a conclusão de que aquilo não mais tem dito muito de mim. Fiquei com medo, pois se aquelas pessoas eram “tudo que eu tinha” e eu não as reconheço mais, não temos mais sintonia, mal nos cumprimentamos então o que eu tenho agora? Se todas as gravuras, todos os poemas, todas as músicas eram “tudo que eu sou” e eu não me importo deles estarem caídos ou escondidos em alguma gaveta, o que agora eu sou? Não sei. Com raras exceções que ainda têm seu lugar no mural, raras musicas que ainda têm seu lugar nos meus fones, raras pessoas que ainda têm seu lugar no meu coração, eu não sei mais o que eu tenho e o que eu sou. Só sei que aquilo não é mais. Uma única frase continua fazendo total sentido: “Como é a vida longe de quem nos faz viver?”, antes eu acreditava que todas aquelas carinhas me faziam viver, mas elas foram indo e eu fui sobrevivendo sem elas, mostrando que não, que aquelas pessoas poderiam até deixar as coisas mais leves, mas não me faziam viver, posso garantir que as poucas mas verdadeira pessoas que em fazem viver continuam no mural e no meu coração, e de lá não vão sair, pois eu não sei se sobreviveria sem elas. Depois de algumas reflexões pensei em tentar buscar aquela Marina que dava tanta importância aquelas carinhas felizes pregadas, que levava a vida com base naquelas sete letras em negrito que tinham um lugar de destaque e juntas formavam a palavra: “Believe”. Mas não adianta. Essa Marina de hoje não mais acredita. Ou melhor, não mais acredita naquelas coisas. Acho que preciso de uma [de]coração nova, sugestões?






 “depois de um tempo aprendemos a conviver com uns e a sobreviver com outros” triste, né?

quarta-feira, 28 de março de 2012

Garcia Marquez disse que essa minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Ainda vai além falando que não sou disciplinada por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generosa para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiada e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.

E é exatamente isso, por trás dessa pessoa gostável que alguns já disseram que sou, por trás dessa pessoa sempre disposta a ouvir, a fazer rir ou só dar um abraço encontra-se uma pessoa feia, insegura e perdida. Uma pessoa que me envergonha principalmente pela forma com que ela tratava os outros ao eu redor, tendo certo prazer em atacar como se isso fosse garantia para não ser atacada.

Uma pessoa que sempre some dos lugares, das pessoas, de si mesma. Eu me entrego, eu me disponho totalmente, mas um dia acordo e não quero mais aquilo, aí me ausento, sumo. Acreditava que fazia isso por me cansar da situação ao ponto de me causar enjoo, de não mais suportar, mas no fundo eu sei que não é só isso. É que eu, por tanto medo de ser abandonada, abandono primeiro. Atitude covarde.

Mas a grande verdade é que a gente vai mudando com o passar do tempo, nosso psiquismo vai criando formas de sobreviver e eu mudei muito. Hoje acredito que foram criticas, foram negações, foram desprezos e foram indiferenças que me levaram a ser essa pessoa que eu sou hoje. Me levou a não mais acreditar que alguém possa realmente gostar de mim simplesmente por eu ser quem sou, me levou a não ter confiança alguma em mim e no outro. E isso me deixa cada vez mais sozinha.

Um dia desses uma professora muito querida me escreveu dizendo que sentia uma estranheza em mim, um jeito esquivo, meio sem saber a que veio, como se eu estivesse perdida. E ela, como sempre, estava certa, eu hoje estou muito perdida. Com aquela sensação de que aqui não é o meu lugar, de que as paredes desse quarto estão me sufocando, de que aqui não me cabe mais.

Mas acontece que eu já fiz muitos planos de ir embora pra diversos lugares, planos mais reais de apenas fazer viagens e depois voltar, de conhecer gente nova, conhecer novas formas de ver a vida, porem mal consigo sair do meu quarto, e o porquê eu também não sei. Alias sei sim, acho que por medo de não encontrar esse lugar em que eu não me sinta perdida, não me sinta sozinha e desamparada.

Esses dias eu li uma menina dizendo que existir é uma náusea, mas uma náusea eterna que nunca passa. Você sempre acha que uma hora vai vomitar, vai passar tudo e você vai entender porque estava passando mal, mas essa hora nunca chega. E nesse constante enjoo eu sigo magoando os meus e, consequentemente, me magoando.


Mas em meio a enjoos, náuseas, vômitos, magoas e passagens ao ato, eu acredito que não sou uma má pessoa, apenas uma menina perdida querendo ser aceita.

domingo, 25 de março de 2012

E hoje eu acordei com uma saudade de você, encontrei suas roupas pelo quarto e não resisti: enfiei o nariz e respirei bem fundo. Puxei o quanto pude todo o ar perfumando que vinha da sua blusa de florzinha, e isso me fez ficar com uma vontade de não desistir de você, não desistir de mim, não desistir de nós. E é isso que eu vou tentar fazer, não vou desistir de tentar te mostrar o quanto você estava errada, e não desistir de te pedir perdão palas vezes que o erro foi meu.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quero ser pra você o alívio do primeiro cigarro do dia.


sábado, 17 de março de 2012

moça do sorriso aberto

Você é uma das pessoas mais loucas que eu conheço, mas não louca de irritar; louca do tipo que fascina, que faz com que eu tenha vontade de entender porque sei que algo brilhante sempre vai sair dali. Um dia eu te desvendo, roubo tuas anotações e escrevo um livro sobre, bem no estilo “A Vida Secreta da Moça do Sorriso Aberto”.

sexta-feira, 16 de março de 2012

moreno, alto, bonito e sensual*

Apesar de ser tão chato, das grosserias inatas, do cabelo engraçado, do pé gigante, da mão pesada, de muitas conversas baixo nível, e de a gente sempre se encontrar trash ao acaso pela vida. Você é um amigo que eu sinto muita falta. Afinal, você é o homem que eu casaria. Pelo menos é a conclusão que chegamos na nossa ultima bebedeira.


*quer ser a solução dos meus problemas?

sábado, 10 de março de 2012

bilhete

Paula

Eu preciso do seu consumismo para equilibrar meu idealismo,

e do seu agito para acentuar minha calma.

sexta-feira, 9 de março de 2012

L.

É engraçado como foi rápido gostar de você. Já havia me atentado a sua pessoa bem antes de conversarmos pela primeira vez, temos amigos e gostos em comum de forma que foi muito fácil uma primeira aproximação, e você, como eu já imaginava, foi muito receptiva. Fomos nos esbarrando por aí e quando paramos de fato para conversar foi horas seguidas e ao final saí com a sensação de que já nos conhecíamos há tempos tamanha a nossa sintonia, estávamos a vontade, compartilhando coisas pessoais que normalmente não são ditas a qualquer um. Fiquei muito feliz quando você disse que eu te passava confiança. Você também me passa e até consegue arrancar confissões (ai) que mais ninguém consegue.  Você é uma pessoa muito gostável, daquelas que a gente se pergunta por que não encontrou antes. É isso, você com esse seu jeitinho tímido, toda meiguinha me ganhou.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Falta alguém naquela mesa
Que saiu pra não voltar
Meu coração esperançoso
Não se cansa de esperar
As lembranças se acumulam
Sem ter hora de afastar
Meu coração ainda espera
que ele ocupe seu lugar

sábado, 3 de março de 2012

Ontem eu estava assistindo um filme sem dar muita atenção, até que a personagem solta uma frase que no momento parecia ter sido endereçada a mim: “não devemos pedir aquilo que nos deveria ter sido oferecido”.


Instantaneamente me lembrei de você, do quanto me humilhei e pedi por aquilo que você deveria ter me dado de graça. Hoje, olhando tudo com a distância necessária, vejo o quanto você se aproveitou da situação para extrair tudo o que podia de mim, e o pior é que eu lhe dava como se fosse o meu dever. Você nem imagina, menino, os estragos que isso me causou e que me causa até hoje. Você me fez acreditar que eu era muito pouco pra você, que você nunca me levaria a sério por sempre ter algo melhor, como se eu fosse apenas uma reserva que pode até ser útil, mas nunca vai substituir a original. Mas hoje eu consigo ver que as coisas não eram bem assim, você também precisava muito de mim, mesmo que nunca tenha percebido isso, pois se até hoje acontece algum problema com a sua família, com a faculdade, com alguma garota eu sou umas das primeiras pessoas que você procura. Ou era. Por que se tem uma coisa que eu me orgulho é ter conseguido me afastar de você. Tudo bem que gastei anos pra isso, mas acho que consegui, tem alguns meses que não tenho notícias sua, você me mandou uma sms no domingo e nem passou pela minha cabeça responder. O problema é que mesmo que você não esteja mais aqui, que eu não sinta mais a sua falta, você deixou muitas marcas.
É Paizão, acho que a vida não tem sido muito justa com a gente, né. Queria tanto que pudéssemos voltar há uns bons anos atrás. Lembra o quanto erámos felizes? Eu ficava ansiosamente esperando as sextas-feiras onde já a noitinha eu ouvia o ronco quase ensurdecedor do motor. Saia correndo e era você chegando. Que alegria mais genuína eu sentia, corria pra te dar o meu melhor sorriso e o meu maior abraço. Entravamos junto em casa onde a mamãe nos esperava rindo, cheia de luz, do meu desespero. E pelos próximos três dias passávamos momentos muito felizes, seja em uma ida à fazenda, à casa da vó, ao seu barbeiro ou até mesmo uma simples manhã preguiçosa de domingo na cama eram motivo muita satisfação, como se ali, nesses lugares, fossemos só nós, mas ninguém. Queria saber, Pai, onde perdemos tudo isso, onde foi parar essa magia, onde perdemos nossa alegria, nossa intimidade? Porque hoje apesar do muito amor que sentimos somos dois estranhos perdidos por aí. Como se fossemos dois barquinhos que após a tempestade não conseguem encontrar o cais. Até então o nosso “cais”, o nosso “porto seguro” era a mãe, mas não podemos culpá-la pela tempestade e pela falta de rumo. Eu sei que você tem muitas magoas para com ela, eu também tenho, mas acredito que ela em momento algum teve a intenção de nos magoar, ao contrário. Mas infelizmente sei também que não podemos mais contar com ela pra nos guiar, isso não pertence a ela. O que nos resta, Paizão, é encontrarmos um novo porto seguro. Seria maravilhoso que pudéssemos ser um do outro. Mas estamos tão distantes que não sei se conseguiríamos. Eu vejo você com essa faceta de homem forte mas eu sei que lá no fundo você tá sofrendo muito, e eu sofro daqui por não conseguir te ajudar. Eu sou covarde, Pai, me sinto tão triste com a sua dor que me ausento da sua vida, como se eu não visse deixasse de existir. Mas só eu sei que não deixa, não tem um dia se quer que eu não me lembre de você, da nossa casa, do nosso quintal, da nossa fornalhinha, da nossa panelinha, do nosso arroz, que era tão pouquinho e tão ruim mas que comíamos como se fosse o melhor arroz do mundo. E era. Do nosso mundo era. Te amo tanto, Paizão. Se eu pudesse pedir só um desejo eu desejaria voltar à um dia desses. Mas isso não pode acontecer e de nada adiantaria. O que eu posso, ou podemos, é tentar nos ajudar agora, e é isso que eu quero e venho propor. Você topa, Pai?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

bilhete

I,

Acabei de ler um verso do poetinha e instantaneamente me lembrei de ti. Como pode né, em tão pouco tempo uma pessoa se tornar tão especial e indispensável.

Sinto muita vergonha quando vejo o quanto você é boa comigo, o quanto se preocupa, se importa, o quanto gosta de mim e eu, apesar de também gostar muito de você, me preocupar e me interessar, não costumo demonstrar por estar sempre ocupada com pessoas que nem ao menos se lembram de mim.

Você sabe que se eu pudesse escolher uma pessoa pra me apaixonar escolheria você, você com esse seu jeitinho acanhado, com esse sorriso lindo, com essa vontade de comer o mundo de uma só vez seria tudo que eu poderia almejar pra mim, mas como sabemos que isso não é possível ficamos com a outra parte disso tudo, que é o que sinto por você, um sentimento muito mais bonito e mais nobre do que paixão, é o amor. Amo muito. Amo as cores que você trouxe. Amo como você me vê. Amo a pessoa que aos poucos eu estou me tornando com uma grande contribuição sua. Amo amar você.


Um dia desses você disse pra eu viver, pois o tempo cura e traz novos motivos pra seguirmos em frente. Você é um desses motivos

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Para a menina de sorriso aberto

Tinha alguns dias que eu não tinha noticias tua até que ontem em uma dessas passeadas tediosas na internet vi uma foto sua, a mais linda de todas. Você toda bonitinha, sorrindo e deixando a mostra suas lindas covinhas. Você estava tão diferente daquela menina assustada e arredia de uns meses atrás. Fiquei contente de te ver, aparentemente, tão bem. Lembra quando eu te disse que as coisas iriam se ajeitar, que era só esperar o tempo, que nem é tão mau assim, dar um jeitinho? Pois é…lá estava você sorrindo, longe de tudo, cheia de luz.

bilhete

Ana

Estive pensando em você esses dias e a sensação que fico é que seus últimos anos vieram como furacões. Compreendo perfeitamente essa sua vontade de se ausentar das pessoas, de ficar quietinha no seu mundinho, nós humanos somos frágeis, não precisamos aguentar todos os tapas da vida e continuar com um sorriso no rosto, mesmo que todo mundo exija o contrário. É necessário esse tempo para ti, para botar todas as coisas no lugar, parar cuidar um pouquinho de você mesma, rever seus gostos e suas prioridades. E é isso, Ana, um dia qualquer você terá uma epifania, seja comendo um chocolate, fumando um cigarro, caminhando ou ouvindo uma música em umas quarta-feira entediante, e verás que está pronta para tudo novo, de novo. E quando isso chegar você vai encontrar as coisas certas que possam lhe ajudar a seguir em frente. É tudo com o tempo, tempo esse que parece traiçoeiro, mas ele não é má pessoa.

Fique bem.

Marina

domingo, 22 de janeiro de 2012

bilhete

 I,
 Guarde o meu amor que hoje ele é todo seu, Marina.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Lá nos meados de 2005 eu ganhei dois cd’s de uma amiga. Um deles de Legião Urbana, que eu já conhecia e gostava, e o outro dos Engenheiros do Hawaii. E em pouco tempo essa banda de nome engraçado, que eu custei memorizar, tornou-se minha banda preferida. Não sei se devido às letras que dizem muito do que eu queria dizer, à voz e todos os instrumentos do Gessinger ou aos cabelos loiros do vocalista que a cada ano estava com um novo peteado. Sei que a banda tornou-se uma referencia para mim, virei fãzona mesmo, daquelas de ter cartaz deles pregado no quarto, nas capas do caderno e por ai vai. Em 2007/08 eles vieram na minha cidade mas não pude ir ao show devido a minha pouca idade, e, para o sofrimento da fá aqui, logo em seguida eles deram “um tempo” com a banda. Gessinger então começou um novo projeto, o Pouca Vogal, onde ele e mais um outro cantor realizam shows mais intimistas com sucessos das antigas bandas de ambos e músicas novas. Confesso que me agrada, mas nem tanto essa formação, mas se é o que temos para poder ver o Gessinger fico muito feliz. Assim no dia 30 de julho de 2010 tive a oportunidade de ir a um show deles, foi muito emocionante, muito bonito e se já gostava dele antes depois desse show gostei muito mais. E ontem, dias 14 de janeiro de 2012 eles retornaram aqui na minha cidade, desta vez com um show bem a cara da banda, em um local fechado, com poucas pessoas deixando um clima bem aconchegante e intimista. E o que foi esse show? Não sei até agora. Que coisa mais linda e emocionante, todo mundo em uma mesma sintonia cantando todas as músicas, aplaudindo, respeitando os cantores, foi muito bonito de se ver. Para uma fã que acompanha o seu ídolo ha tanto tempo é uma das melhores sensações poder vivencias aquilo que vivi ontem. Uma menina que estava ao meu lado resumiu muito bem o sentimento de todos “o show é tá tão bonito que não da vontade de falar nada”, e era isso mesmo que se via, todo mundo cantando ou calado, nada daquelas conversas e rizadas paralelas que tanto atrapalham os show em locais fechados. Foi muito bonito, muito emocionante, muito gratificante, espero ainda poder viver muitos outros show deles.

sábado, 14 de janeiro de 2012

bilhete

D.

Eu não consigo ver uma pessoa que é tão importante pra mim se prestar a esse papel de idiota perante todos e ficar calada como se aceitasse isso, afinal, quem cala consente. Por isso, muitas vezes, eu acabo até magoando-a mais ainda, talvez no momento você precisasse de um abraço, mas eu definitivamente não consigo. Não consigo entender como pode uma pessoa que até outro dia tinha uma ideologia de vida tão bacana, tinha sonhos e esperanças, cair nesse buraco transformando-se em uma mulher submissa, que aceita ser humilhada de todas as formas possíveis e nada fazer a respeito, e o que é pior, ter tido a oportunidade de mudar isso, acabando com esse sofrimento mas simplesmente negar ajuda. Não consigo.

Por isso, minha amiga, prefiro me afastar por um tempo pra que eu não te faça sofrer ainda mais e para que não percamos tudo de bonito que já construímos até hoje, porque você sabe que eu não compartilharei com esta sua forma de levar a vida, sendo assim não posso assistir esse circo sem nada fazer.

Te desejo toda fé do mundo, sua amiga Marina.  

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

eu com você

Um livro de poema, uma estrela do céu, uma carta com frases bonitas, um beijo com gosto de saudade, um abraço feito de amor, rótulos de cerveja, um sorriso grande, alguns sonhos e muitas cores. Junto tudo em uma caixinha e te dou, pra você nunca esquecer de mim.