Anos sustentando relações
vampirescas e de repente tudo se rompe. Vem aquele cansaço de ser sempre o
estepe, de ser sempre aquela amiga que vai tá ali pra ouvir a qualquer hora,
aquela que você pode ligar bêbado chorando 4 da madrugada que vai te ouvir, que
pode mandar uma msg terça três da tarde que sai de onde estiver pra te dar
colo. Não! Cansei. Pela primeira vez na vida quero ser cuidada, quero poder
contar da minha vida sem ser interrompida pra ouvir reclamações de namorados,
pais, faculdade. Porra, qualquer tipo de relação tem que ser uma via de mão
dupla, e as minhas não estão sendo. Acredito que muito pela minha personalidade,
de ouvir, cuidar, amparar, mas eu não ando ganhando nada, só estou sendo
sugada, estão retirando tudo de mim e oferecendo muito pouco em troca, estou
definhando. Tenho que cortar isso agora, enquanto ainda é tempo. E agora não
adianta mais, já foi rompido esse campo, não dá pra voltar atrás, se você notar
uma diferença no meu comportamento em relação a você é porque possivelmente
você é um desses vampirinhos que tanto me sugou. Preciso de pessoas que se
interessem genuinamente e verdadeiramente por mim, que me atenda em um momento
de desespero, que se interesse pelo meu dia, que me pergunte sinceramente se eu
estou bem, e independente de qual for a resposta esteja a fim de ouvir-me. Isso
é só um desabado de quem está há tempos só ouvindo e acudindo os que me
rodeiam, tentando agradar a qualquer custo por medo de perder, sempre falando
sim pra tudo por medo de ser deixada de lado, mas enfim aprendi que aqueles que
realmente se importam comigo vão continuar apesar do meu não, dos meus
problemas e da minha cara feia, porque eu continuei e sempre continuarei por
eles. Mas só por eles.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
crônica do amor que já se foi
De: C.
Para: A.
Para: A.
My dear,
tenho sofrido tanto com essa sua
visão sobre as coisas, minha menina sempre tão geniosa e incisiva nas suas
colocações.
Preciso frisar mais uma vez que
sim, você me fez muito feliz, que você me mostrou a luz quando estava tudo
escuro, mais que isso, você trouxe cores. Você fala sobre eu ter cansado de
ensinar, quando na verdade foi eu quem tanto aprendi contigo. Tá certo que sou
bem mais velho, tenho mais vivencias, no entanto você me desarmou
completamente, na sua frente eu era apenas um adolescente recém saído da
puberdade tendo que descobrir o que fazer com uma porrada de sentimentos
controversos. Tive que reaprender, pois você se mostrou diferente de todas as
outras, e foi exatamente isso que me fez te amar. Tudo que eu sabia e tentava
com você não dava certo, demorou até descobrir o seu segredo, nesse dia mesmo
que você diz ter se apaixonado eu estava nervosíssimo sem saber o que fazer pra
te ganhar, havia uma necessidade palpante de te ter, faria qualquer coisa que
me pedisse. Eu já estava apaixonado. Daí por muito tempo foi alegrias, tinha o
maior prazer em ver seu rosto interessado quando eu lhe contava minhas
historias, morria de amores quando você aparecia de surpresa com esse jeito
façanho de menina, sem contar no êxtase que era o nosso sexo. Fomos felizes.
Mas concordo com você, nos perdemos pelo caminho, não sei quando e nem o
porquê, acho que foi gradativo e quando nos demos conta era irreversível, já
tínhamos nos machucado muito. Até concordo com você que hoje juntos somos dor,
mas tenho que ressaltar que separados também é dor. Dor por não saber como você
está, dor ao discar impulsivamente o seu numero mas desligar sem completar a
chamada. Dor ao ir ao mercado e ver o brócolis tão verdinho, pronto pro seu
prato preferido e não ter porque comprar. Dor em saber de você por outros. Dor.
Mas não sei o que podemos fazer quanto a isso, é me machucando que acredito que
você precisa viver outras experiências, conhecer outros gostos pra depois
decidir o seu preferido. E ai quem sabe, minha menina, possamos viver em uma
casinha colorida de Amsterdã, ouvindo Pink Floyd, bebendo vinho e fumando nosso
cigarro enquanto eu cozinho pra gente. Quem sabe…
Com todo carinho e amor de
sempre,
C.
crônica do amor que já se foi
De: A.
Para: C.
C,
como esquecer você, que veio tão
impetuoso e me apresentou o mundo, o seu mundo. Você foi o primeiro, me moldou
à sua forma e à sua medida, aproveitando as suas incontáveis e deliciosas
experiências pra me ensinar, me impregnar e me fazer apaixonar pelas suas
paixões, ou você acha que eu iria me encantar com Pink Floyd se você não
tivesse me contado de maneira tão gostosa sobre o show deles que você assistiu
na Inglaterra? Ou ainda que ostras se tornariam meu prato favorito se você não
tivesse me oferecido de maneira tão sensual? E que dirá esse sonho arrebatador
de morar no sul da Holanda vivendo de amor e embriagantes em meio aos campos de
tulipas e aos cafés? Nada disso existiria sem você.
Você não sabe, mas me apaixonei
por você no nosso segundo encontro, quando você atenciosamente me contou toda a
historia do vinho que estávamos bebendo enquanto cozinhava, hoje posso
confessar-lhe que não prestei atenção em uma só palavra, enquanto você falava
de safras, cheiros e produção eu só conseguia pensar no efeito que esse homem
extremamente sexy e tão a vontade na sua cozinha possuía sobre mim. Você me
ganhou ali. Mas infelizmente o tempo foi
levando essa displicência e jovialidade que me fez cair de amores e foi
mostrando um outro lado, mais duro, frio e sofrido. Um lado que não suportava
mais nossas discussões casuais sobre caetano x chico, carlton x hollywood, que
não via graça em beber vinho e falar banalidades. E tentando me adaptar a isso
fui deixando pra trás as sutilezas, as surpresas e a emoção. De forma que
perdemos o que a nossa relação tinha de mais especial, a leveza. Já não
conseguíamos ser fogo e paixão, não conseguíamos beijar na boca e nos amar no
chão. Ali já não era mais aquele homem de 40 com uma bagagem imensa de mil
vidas vividas e uma menina de 20 querendo abraçar o mundo desse homem, casando
perfeitamente. Éramos dois estranhos ainda apaixonados, se traindo e pedindo
perdão por amar de mais. Era dor.
Por tudo isso, uso a frase
daquela música triste “tornar o amor real é expulsá-lo de você para que ele
possa ser de alguém”, quem sabe é isso que você precisa, pode ser que tenha se
cansado de ensinar, de lidar com essa grande diferença de mundo e de vivencias
e eu tenha me cansado de tentar ser uma pessoa que eu não sou, de tentar fingir
ter uma idade que eu não tenho, quem sabe estamos prendendo o amor aqui dentro
e impedindo que ele torne-se real. É com dor, meu querido, que eu falo pra
você: vai tentar ser feliz, desejo de coração que você se encontre e volte a
ser aquele homem livre e sorridente que conheci e me apaixonei.
Sua, sempre sua,
Ana
Assinar:
Postagens (Atom)