Nesse mesmo dia,
só que um ano atrás, estava feliz e confiante com os tão sonhados 18, estava
tendo um 2010 bom, cheio de novidades, faculdade legal, velhos e novos amigos e
algumas pessoas com interesses parecidos. Acredita que com os 18 só tendia a
melhorar. E realmente por quatro meses foi muito bom, vivi muitas coisas,
experimentei novas sensações, faculdade me deixando contente, tinha algumas
pessoas que faziam tudo valer a pena, foi também nesse período que comecei a
sair com uma turma nova, muita bebida, muita musica e até alguns casinhos. Mas
então 2010 foi embora e levou tudo isso com ele, a manhã de 2011 já veio
mostrando como seria o próximo semestre: feio, cinzento, repleto de brigas e
descrenças. Veio o segundo dia, segunda semana e segundo mês só pra confirmar.
Há tempos não passava por um período tão triste, com direito a morte, muitas
doenças, crises infinitas e brigas incensáveis. Até que acordei em um desses
dias cinza e percebi que era indiferente a tudo, que já não acreditava em mais
nada, com isso perdi o controle que eu sempre acreditei ter sobre mim, fui me
isolando da família e dos amigos o que me levou a ver que eles nem ao menos
sentiam minha falta. E assim fui ficando cada vez mais sozinha. Foi quando
apareceram duas lindas pessoas que me ouviram, me deram atenção, resolvi ir pra
terapia e lá descobri uma Marina diferente da que eu sempre acreditei ser,
ainda há um estranhamento, mas vou aprendendo a aceita-la. Não posso dizer que
nesse tempo não houve nada de bom, claro que teve, embora em menor quantidade.
Teve gente que apareceu do nada e me ajudou a deixar tudo um pouco mais leve,
teve gente que parou pra me ouvir, pra me dar um ombro pra poder chorar, teve
muita leitura e aprendizagem, teve novos amigos e, claro, teve alguns bons e
velhos que me acudiram como puderam.
E agora espero
estar fechando esse ciclo onde achei que não amava de fato - nem a mim nem a
ninguém, onde vi algumas das maiores derrotas. Quero sair com a sensação de que
eu tropecei, eu cai, eu chorei mas me levantei, afinal “no one cries forever”.
18 anos, que
tempo penoso foi esse, onde tinha o desejo e a necessidade de viver, mas não a
habilidade.