100 dias de gratidão

domingo, 28 de abril de 2013

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Procura-se um amor que saiba o que é vaca profana, saiba quem foi freud e aprecie hortênsias.

Procura-se alguém que goste de ser a parte de fora da conchinha, que goste de abraçar e que me acaricie até eu dormir com o som da sua respiração.

Quero alguém que adore rock, de todos os estilos, e que saiba falar sobre, mas que tope dançar pop em uma boate num dia qualquer ou me fazer companhia em uma apresentação de jazz.

Alguém que goste de cerveja, que não importe de ser companhia em alguns porres. Alguém que aprecie a poesia de se sentar em uma bar às 17 horas de uma sexta-feira. Alguém que saiba preparar drinks.

Procura-se alguém que goste de animais, que trate bem os cachorros e afofe os gatinhos. Mas que goste mais ainda de humanos.

É importantíssimo que saiba respeitar o espaço de cada um, que nos dê momentos de folga pra ficar com os meus outros amores, ou sozinha mesmo. É fundamental que tenha outros amigos e que goste de fazer programas só com eles. É preciso que tenha outros interesses e uma vida aquém.

Quero alguém que goste de ler. Poesia, mecânica, literatura moderna, não importa, desde que tenha isso como paixão.

É preciso que tenha um talento para eu poder elogiar, seja tocar algum instrumento, cozinhar, fazer artesanato ou quem sabe resolver questões de física quase improváveis de serem solucionadas.

É primordial que seja alguém que me faça rir. E que ria de si mesmo, de mim e da vida. Alguém que deixe as coisas mais leves, que em momentos de crise e perante problemas tenha o bom humor como arma.

Quero alguém que entenda meus exageros, que respeite meus dramas e, por vezes, sucumba aos meus luxos.

Procura-se alguém que tenha bom gosto e saiba se vestir, mas que também goste do simples. Alguém que divirta-se da mesma forma em um restaurante bebendo vinho quanto sentado em uma varanda bebendo caipirinha.

Quero alguém que divida o banho, o lanche e os cigarros. Mas que cobre um preço por isso, normalmente em beijos.

Precisa-se de alguém que goste de falar, mas que mais ainda goste de ouvir. E que entenda o silêncio.

Quero alguém que saiba me ensinar algo e que se interesse pelo que eu tiver a oferecer.

Procura-se alguém livre, mas que não tenha medo de se prender. Alguém que acredite na independência, na companhia e no afeto.

É preciso de alguém maduro suficiente para discutir filosofia e politica mas que ache graça de vídeos de cangurus dançando folk. Alguém que passe horas e horas planejando viagens e aventuras, mas que também curta passar uma tarde inteirinha vendo seriados e comendo besteiras.

Quero alguém que faça planos pro futuro, que me olhe nos olhos e me abrace quando eu estiver brava.

Quero alguém que tenha a mente livre de preconceitos e de amarras, que seja adepto ao sentir, ao experimentar e que tenha prazer como religião.


Quero amor. Dos mais bonitos.

domingo, 7 de abril de 2013

Para alguém importante

Dizem que a primeira vez se ama mais e que as seguintes se ama melhor. Nada mais certo que isso. Você foi meu primeiro e, meu deus, como eu te amei. Era você e só você. Era carnal, intenso. Era muito. Amava cada fio de cabelo, conhecia cada expressão, cada pinta, cada detalhe. Começou errado, mas por insistência algo que não passaria de um beijo virou vários beijos, depois várias ligação e logo veio um final de semana completo só com nós dois num apartamento sem ver a luz do dia ou outras caras. Nesses dois dias inteiramente nossos eu descobri que só precisava de você, do seu cheiro e do seu gosto, o resto do mundo era só o resto. Em duas horas já sentia sua falta, em uma semana estava loucamente apaixonada e em alguns meses tinha certeza que era amor. E assim fomos indo. Dividimos nosso tempo, nossos cigarros e a nossa cama. Eu te amava mais e mais a cada dia. Aprendi a gostar das suas músicas e você passou a admirar meu papo chato sobre filosofias. Você me fez rir, me fez chorar e me fez mulher. Fizemos planos. Brigávamos muito, muitas cenas de ciúmes, muitos gritos, muito choro e muito sexo de reconciliação. Nos afastamos algumas vezes nesses anos, apareceram outras pessoas, mas não adiantava sempre voltávamos pros já tão conhecidos abraços. O tempo passou e alguma coisa aconteceu, ou melhor, várias coisas aconteceram, e todos aqueles empecilhos que antes fingíamos não ver foram ganhando peso. Ficou insustentável a diferença de idade, de fase da vida, de quereres. E uma hora não deu mais. Tive que pular fora, estava insuportavelmente pesado toda essa bagagem acumulada em tantos anos. Eu já não conseguia mais me ver em todos aqueles desenhos que tínhamos feito para nós. Você chorou, gritou, se desesperou. Mas não dava mais, estávamos em outro tempo. Você me odiou. Foi uma das coisas mais dolorosas que já me aconteceu. Mas foi. Passou, e exatamente por isso hoje eu posso escrever-te sobre. Hoje eu vejo o quanto era errada a nossa relação. Minto! Não era errada, era certa ao nosso modo, ao nosso desespero. Às vezes eu paro pra lembrar e acho bonita a ânsia que tínhamos em ser, é como se soubéssemos que teria um prazo de validade e, por assim saber, tínhamos que viver tudo de bom e de ruim elevado a potencia máxima. De tudo, o que mais me doía era saber que você me odiava tanto, saber que te fiz chorar, mas eu só queria que ficássemos bem, que nos respeitássemos, mas essa palavra não existia na época. Depois desse tempo, vieram outras pessoas, outros amores. Espero que um pouco da raiva tenha se esvaído. Ainda te tenho comigo, é indiscutível que você e aquele tempo são responsáveis por muito do que sou hoje. Se hoje amo melhor foi porque um dia te amei demais.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Deixe-me ir, preciso andar



Eu só queria que você entendesse que eu te amei muito, que você sempre vai fazer parte de mim. Mas acontece que tudo na vida tem um prazo de validade, e o nosso já deu. Já não nos fazemos bem como antes, ao contrário, só lagrimas, gritos e dor. Eu não quero isso pra gente. Eu não quero isso pra mim.

Eu só queria que você acreditasse que eu te desejo só o melhor, quero você feliz e realizado. Mas é só. Cheguei ao meu limite e cada vez que você insiste pelo contrário, mais certeza eu tenho.

Eu só queria que você entendesse que doi muito estar te falando isso, mas você está conseguindo apagar tudo que eu tinha guardado de bom. Hoje quando falam seu nome me vem à mente esse novo ser que você se tornou e que muito pouco me agrada. Já não o reconheço mais.

Eu só queria que você se lembrasse de quando dizíamos que um barco só flui se os dois remarem. O nosso barco não está fluindo, não por não remarmos, mas por remarmos pra lados opostos.

Eu só queria que você compreendesse que não estamos nos fazendo bem, que já deu. Eu preciso disso para continuar. Eu preciso continuar. Quero respirar. Quero ser eu. Me deixa ser?


[ao som de “preciso me encontrar” - cartola]