Hoje pensei em
você. Engraçado falar assim, porque penso em você frequentemente, mas hoje
pensei mais. Pensei em tudo. Confesso que ainda fico assustada.
Você sabe bem
o quanto para mim é difícil ceder e a cada palavra dessas que sai vai junto um
pedaço da armadura que criei para me resguardar. Tenho que lhe agradecer tanto
por isso. Por me ajudar a ficar nua, a arrancar o couro. Estou na carne viva. Inteira
e crua. Para você pode parecer um exagero da minha parte, mas eu realmente estou
aprendendo tanto. Aprendo sobre mim, sobre liberdade, sobre escolhas e sobre
renuncias.
[fui procurar renuncia no dicionário
e a primeira definição é “recusar aquilo a que se tem direito”. Ironia das
ironias, pois quantas vezes cheguei a me achar no direito de ti. Coitada de
mim, ilusão deliciosa essa de nos enganarmos, não é mesmo?!]
Por falar em
renuncia, às vezes fico imaginando como seria se um dia pudéssemos ir para um
lugar calmo, só nós dois, longe de tudo isso que tanto nos cerca e nos mantém
reféns. Penso em coisas simples como ficar deitada com você no frio, nos
esquentando ou cotidianas como podermos assistir um filme de mãos dadas. Outras
vezes penso em coisas grandes, consigo imaginar seu cheiro, seu gosto, seus
sons e até a textura da sua pele. Depois acordo e vejo que dessa forma não
posso lhe ter. O que me consola é saber que te tenho em outra forma, não menos
bonita, mas com certeza mais difícil.
Mas quem disse
que gosto (gostamos) do fácil. Como disse o velho Fernando Pessoa “A renúncia é
a libertação”.
Marina
ps : sem ps’s dessa vez
[ouvindo ‘Divina comédia humana’ –
belchior]
