100 dias de gratidão

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Ouvir estrelas

Hoje pensei em você. Engraçado falar assim, porque penso em você frequentemente, mas hoje pensei mais. Pensei em tudo. Confesso que ainda fico assustada.
Você sabe bem o quanto para mim é difícil ceder e a cada palavra dessas que sai vai junto um pedaço da armadura que criei para me resguardar. Tenho que lhe agradecer tanto por isso. Por me ajudar a ficar nua, a arrancar o couro. Estou na carne viva. Inteira e crua. Para você pode parecer um exagero da minha parte, mas eu realmente estou aprendendo tanto. Aprendo sobre mim, sobre liberdade, sobre escolhas e sobre renuncias.
[fui procurar renuncia no dicionário e a primeira definição é “recusar aquilo a que se tem direito”. Ironia das ironias, pois quantas vezes cheguei a me achar no direito de ti. Coitada de mim, ilusão deliciosa essa de nos enganarmos, não é mesmo?!]
Por falar em renuncia, às vezes fico imaginando como seria se um dia pudéssemos ir para um lugar calmo, só nós dois, longe de tudo isso que tanto nos cerca e nos mantém reféns. Penso em coisas simples como ficar deitada com você no frio, nos esquentando ou cotidianas como podermos assistir um filme de mãos dadas. Outras vezes penso em coisas grandes, consigo imaginar seu cheiro, seu gosto, seus sons e até a textura da sua pele. Depois acordo e vejo que dessa forma não posso lhe ter. O que me consola é saber que te tenho em outra forma, não menos bonita, mas com certeza mais difícil.
Mas quem disse que gosto (gostamos) do fácil. Como disse o velho Fernando Pessoa “A renúncia é a libertação”.

Marina

ps : sem ps’s dessa vez



[ouvindo ‘Divina comédia humana’ – belchior]



domingo, 4 de maio de 2014

Primeiro, e único, mandamento


Devolve, moço!


Você é meu oposto, meu reverso. Você me revela. São tantas as tuas capacidades dentro de mim que ao mesmo tempo em que acredito já ter dito tudo que tinhas para dizer eu ainda seria capaz de escrever continuamente, como tenho feito.

Umas das melhores coisas para se ter com alguém é intimidade, intimidade não no sentido de contato com o conhecido, familiar, mas um espaço singular de abertura protegida pelo vínculo, onde podemos deixar vir o desconhecido em nós, o estranho, o novo. Poder ser com outra pessoa, sem pinturas. Só ser.

Outra boa coisa de se ter é a tal liberdade. Liberdade em respeitar o que o outro é sem a intenção de modificá-lo. Liberdade de não se prender a rótulos nem ‘faz de conta’. Liberdade de poder escolher e bancar suas escolhas. Liberdade em ser o que quiser ser. Sermos. Juntos ou não.

Um dia te disse que ‘se for deixa de ser’. Erro meu, já é. Há muito tempo.

Somos.

Marina


ps: Nessa vida cheia de acasos, mesmo que nos afastemos, lembrar-me-ei sempre do menino que vi em uma segunda-feira de sol e logo depois cativou-me.