Você é meu oposto, meu reverso. Você
me revela. São tantas as tuas capacidades dentro de mim que ao mesmo tempo em
que acredito já ter dito tudo que tinhas para dizer eu ainda seria capaz de
escrever continuamente, como tenho feito.
Umas das melhores coisas para se ter com
alguém é intimidade, intimidade
não no sentido de contato com o conhecido, familiar, mas um espaço singular de abertura protegida pelo vínculo, onde podemos deixar vir o
desconhecido em nós, o estranho, o novo. Poder ser com outra pessoa, sem
pinturas. Só ser.
Outra boa coisa de se ter é a tal
liberdade. Liberdade em respeitar o que o outro é sem a intenção de modificá-lo.
Liberdade de não se prender a rótulos nem ‘faz de conta’. Liberdade de poder
escolher e bancar suas escolhas. Liberdade em ser o que quiser ser. Sermos. Juntos
ou não.
Um dia te disse que ‘se for deixa de ser’. Erro meu, já é. Há
muito tempo.
Somos.
Marina
ps: Nessa vida cheia de acasos, mesmo que nos afastemos, lembrar-me-ei
sempre do menino que vi em uma segunda-feira de sol e logo depois cativou-me.
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