Cazuza disse com maestria que a
vida é bela e cruel, despida; tão desprevenida e exata que um dia acaba. Essa é
a única certeza absoluta que temos, mas porque ainda assim não nos conformamos
com ela? Não sei, o que sei é que mesmo com essa certeza que nos acompanha
desde sempre a morte nos pega desprevenidos.
Há aquele velho dito que fala que
enquanto é você que lê/ouve o noticiário de óbito está bom. Não concordo, claro
que prezo pela minha vida acima de tudo, mas ao mesmo tempo ser notificado da
morte de uma pessoa querida é uma das coisas mais doloridas, se não for a mais.
Junto com a noticia vem a certeza
do nunca mais; nunca mais ver a pessoa; nunca mais ouvir a sua voz; nunca mais
sentir o seu cheiro e o calor do seu abraço; nunca mais dói muito.
Ela nos deixa sem reação, temidos
e com sentimento de impotência por não ter nada a fazer. É um desamparo, um não
saber como vai ser sem a pessoa. É reaprender a viver com a ausência e ir
sobrevivendo até que o tempo transforme tudo isso em saudades para que nós, que
ficamos, possamos reaprender a andar pelo tempo, amando e tentando ser feliz a
pesar de, para que um dia, quem sabe, possamos todos nos reencontrar.