100 dias de gratidão

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sobre perdas, passagens, aprendizados e saudades

Cazuza disse com maestria que a vida é bela e cruel, despida; tão desprevenida e exata que um dia acaba. Essa é a única certeza absoluta que temos, mas porque ainda assim não nos conformamos com ela? Não sei, o que sei é que mesmo com essa certeza que nos acompanha desde sempre a morte nos pega desprevenidos.

Há aquele velho dito que fala que enquanto é você que lê/ouve o noticiário de óbito está bom. Não concordo, claro que prezo pela minha vida acima de tudo, mas ao mesmo tempo ser notificado da morte de uma pessoa querida é uma das coisas mais doloridas, se não for a mais.

Junto com a noticia vem a certeza do nunca mais; nunca mais ver a pessoa; nunca mais ouvir a sua voz; nunca mais sentir o seu cheiro e o calor do seu abraço; nunca mais dói muito.

Ela nos deixa sem reação, temidos e com sentimento de impotência por não ter nada a fazer. É um desamparo, um não saber como vai ser sem a pessoa. É reaprender a viver com a ausência e ir sobrevivendo até que o tempo transforme tudo isso em saudades para que nós, que ficamos, possamos reaprender a andar pelo tempo, amando e tentando ser feliz a pesar de, para que um dia, quem sabe, possamos todos nos reencontrar.

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