100 dias de gratidão

domingo, 29 de abril de 2012

Uns dias atrás nesse momento eu estaria soluçando de tanto chorar, mas hoje pela primeira vez eu não chorei. Estou aqui deitada no escuro atônita diante de tudo. Com um sentimento de cansaço, como se eu já tivesse chorado demais por isso, já tivesse gastado energia demais com uma coisa que não muda nunca e nunca vai mudar. É uma briga sem sentido. Nada nos aproxima, nada nos encanta, nada nos orgulha. E, no entanto, não nos afastamos. O que nos sustenta?


Tenho medo de descobrir…
Hoje é sábado ou domingo? Acho que segunda. Não sei, estou perdida. Antes fosse apenas no dia da semana, comprava um calendário e pronto, problema resolvido. Mas isso é só um reflexo de todas as outras coisas. Veja bem, estou perdida com relação as minhas maiores certezas. Não sei se quero ficar aqui. Não sei se ainda gosto de sorvete. Não sei se amo minha família. Não sei se me amo. Não sei por que faço as coisas que faço. Não sei se ainda gosto tanto assim de psicologia. Não sei se acredito em deus e nos homens. Não sei se gosto da pessoa que estou em tornando. Não sei se quero essa vida pra mim. Não sei se consigo suportar. Só sei que preciso me encontrar.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

J.

É engraçado porque a uma primeira vista somos completamente opostas, em tudo, mas quando vamos nos aproximando pode-se perceber o quanto tempos em comum. Gostos parecidos, conflitos familiares parecidos, uma tentativa (por vezes furada) de demonstrarmos uma força que não temos, uma renuncia   de sermos cuidadas quando o que mais precisamos é de alguém que nos ponha no colo. Nos aproximamos por acaso, num momento trash da minha vida, em que, na ocasião, você me falou coisas que eu nunca imaginava ouvir de você, coisas sobre uma marina que eu nem acreditava mais existir. E foi muito bom. A partir daí fomos trocando confidencias, histórias até nos tornarmos amigas. E foi quando eu te contei uma coisa minha que era, literalmente, uma cilada, você veio e me puxou pro chão, foi racional e me contou muito bem sobre o que eu estava planejando fazer, contou das coisas que sabia a respeito e me avisou que eu não sairia muito bem dessa história. E vendo que eu continuava irredutível mesmo depois dos avisos, você veio e fez o que uma amiga faria: me apoiou. Mesmo sabendo que eu estava escolhendo um caminho difícil e que eu sairia ferida no final, você ficou ao meu lado. Claro que sempre me dava broncas, me mostrava a realidade. Mas era o seu jeito de demonstrar que estava ali preocupada comigo, que não queria me ver mal. Foi nesse momento que eu vi que você gostava de mim como amiga. E isso se tornou uma característica nossa, não nos poupamos, falamos o que tem que ser dito, mesmo que doa. E isso é muito bom, porque em grandes momentos alegres e momentos muito tristes perdemos a razão, e é de grande importância ter alguém que nos mostre ou devolva ela.


É isso, queria por meio desta carta agradecer por ter me olhado e visto coisas em mim que muita gente não consegue ver. Agradecer por sempre ouvir meus incontáveis e exagerados dramas. Por me apoiar mesmo sabendo que eu vou me fuder. Por gostar de mim, assim, desse jeito toda errada que sou.

domingo, 22 de abril de 2012

dos arrependimentos

Lembro que eu te ligava em um dia qualquer pra gente contar histórias e rir de bobeiras. Passávamos horas ao telefone e nem percebíamos. Lembro como era belo seu sorriso e como sua voz era doce, como você era divertido, mesmo quando me irritava. E te digo que por várias vezes vinha uma vontade de dizer te amo, mas hesitei em muitas delas, porque eu sempre achei “eu te amo” forte demais para ser dito assim ao acaso. Sempre começávamos a falar de música, fugindo do assunto “nós”. Perguntava se você já tinha ouvido o novo disco dos Infernais e comentávamos faixa por faixa , riamos e daí eu falava que tinha que desligar, afinal de contas é sábado, e eu nunca ficava em casa aos sábados. Não que eu queria realmente desligar, poderia ficar conversando até o amanhecer de domingo, mas é que precisava falar que ia sair com amigos, era uma maneira de dizer “veja só como estou bem mesmo sem você, vou aproveitar o meu sábado”. Você dizia que “tudo bem”, que ia se arrumar pra sair com seus amigos; eu dizia “tchau” e mandava um beijo, você mandava outro e desligava sem mais rodeios. Ficava meio que com raiva por você não ter dito “não desliga agora não, vamos conversar mais um pouco” ou qualquer coisa do gênero. Ainda segurando o telefone e ouvindo o “tum tum tum” irritante na linha, pensei muitas vezes  em rediscar seu número e perguntar se a saudade era recíproca. Mas não. Respirava fundo, esboçava um sorriso e dizia a mim mesmo: te amo, mas não te necessito, como me arrependo disso.  E na sua despedida, quando vc já estava com as malas no carro, pronto pra ir embora e eu disse: “vai lá tentar ser feliz”, mas acontece que os meus olhos, o meu peito e as minhas mãos trêmulas em suor frio diziam “fica aqui comigo eu quero fazer isso por você”.

quinta-feira, 19 de abril de 2012



Sabe aquele frio na barriga só de ouvir o nome da pessoa? Aquela coisa de pensar nela 25 horas por dia? De falar duas horas seguidas no telefone e ainda ser pouco? De dividir pipoca sentados na pracinha conversando banalidades e ser a melhor coisa do mundo? Sabe aquela coisa de ver uma maçã e se lembrar da pessoa, ver um papagaio e lembrar, ver uma propaganda e lembrar? Sabe quando um minuto longe é muito tempo e uma hora junto é muito pouco? Sabe quando as mãos já estão cansadas e suadas, mas você não quer soltar por nada? E sabe o que é encontrar a pessoa cedo e quando perceber já está escuro com uma lua grande no céu? Sabe aquilo de escrever a letra do seu nome junto com a letra da pessoa no carro sujo, no cantinho do caderno, na árvore? De ficar vendo fotos e se reapaixonando por cada detalhezinho? De emprestar sua musica favorita pra pessoa? De ficar contando os segundos que faltam para reencontrá-la? Sabe quando você gosta tanto de alguém que quer gritar isso pra todo mundo ouvir? De passar horas fazendo planos na cama antes dormir? E quando você gosta tanto, tanto, tanto que não basta ter a pessoa ao seu lado, é preciso ter dentro de você?

É disso que eu tô falando.