Lembro que eu te ligava em um dia
qualquer pra gente contar histórias e rir de bobeiras. Passávamos horas ao
telefone e nem percebíamos. Lembro como era belo seu sorriso e como sua voz era
doce, como você era divertido, mesmo quando me irritava. E te digo que por
várias vezes vinha uma vontade de dizer te amo, mas hesitei em muitas delas,
porque eu sempre achei “eu te amo” forte demais para ser dito assim ao acaso.
Sempre começávamos a falar de música, fugindo do assunto “nós”. Perguntava se
você já tinha ouvido o novo disco dos Infernais e comentávamos faixa por faixa
, riamos e daí eu falava que tinha que desligar, afinal de contas é sábado, e
eu nunca ficava em casa aos sábados. Não que eu queria realmente desligar,
poderia ficar conversando até o amanhecer de domingo, mas é que precisava falar
que ia sair com amigos, era uma maneira de dizer “veja só como estou bem mesmo
sem você, vou aproveitar o meu sábado”. Você dizia que “tudo bem”, que ia se
arrumar pra sair com seus amigos; eu dizia “tchau” e mandava um beijo, você
mandava outro e desligava sem mais rodeios. Ficava meio que com raiva por você
não ter dito “não desliga agora não, vamos conversar mais um pouco” ou qualquer
coisa do gênero. Ainda segurando o telefone e ouvindo o “tum tum tum” irritante
na linha, pensei muitas vezes em
rediscar seu número e perguntar se a saudade era recíproca. Mas não. Respirava
fundo, esboçava um sorriso e dizia a mim mesmo: te amo, mas não te necessito,
como me arrependo disso. E na sua
despedida, quando vc já estava com as malas no carro, pronto pra ir embora e eu
disse: “vai lá tentar ser feliz”, mas acontece que os meus olhos, o meu peito e
as minhas mãos trêmulas em suor frio diziam “fica aqui comigo eu quero fazer
isso por você”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário