J.
É engraçado porque a uma primeira
vista somos completamente opostas, em tudo, mas quando vamos nos aproximando
pode-se perceber o quanto tempos em comum. Gostos parecidos, conflitos
familiares parecidos, uma tentativa (por vezes furada) de demonstrarmos uma
força que não temos, uma renuncia de sermos cuidadas quando o que mais
precisamos é de alguém que nos ponha no colo. Nos aproximamos por acaso, num
momento trash da minha vida, em que, na ocasião, você me falou coisas que eu
nunca imaginava ouvir de você, coisas sobre uma marina que eu nem acreditava
mais existir. E foi muito bom. A partir daí fomos trocando confidencias,
histórias até nos tornarmos amigas. E foi quando eu te contei uma coisa minha que
era, literalmente, uma cilada, você veio e me puxou pro chão, foi racional e me
contou muito bem sobre o que eu estava planejando fazer, contou das coisas que
sabia a respeito e me avisou que eu não sairia muito bem dessa história. E
vendo que eu continuava irredutível mesmo depois dos avisos, você veio e fez o
que uma amiga faria: me apoiou. Mesmo sabendo que eu estava escolhendo um
caminho difícil e que eu sairia ferida no final, você ficou ao meu lado. Claro
que sempre me dava broncas, me mostrava a realidade. Mas era o seu jeito de
demonstrar que estava ali preocupada comigo, que não queria me ver mal. Foi
nesse momento que eu vi que você gostava de mim como amiga. E isso se tornou
uma característica nossa, não nos poupamos, falamos o que tem que ser dito,
mesmo que doa. E isso é muito bom, porque em grandes momentos alegres e
momentos muito tristes perdemos a razão, e é de grande importância ter alguém
que nos mostre ou devolva ela.
É isso, queria por meio desta
carta agradecer por ter me olhado e visto coisas em mim que muita gente não
consegue ver. Agradecer por sempre ouvir meus incontáveis e exagerados dramas.
Por me apoiar mesmo sabendo que eu vou me fuder. Por gostar de mim, assim,
desse jeito toda errada que sou.
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