100 dias de gratidão

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

os opostos se distraem



Eu vivo do futuro enquanto você tem os dois pés enfiados no presente. Corro 5 quilômetros  pela manha e você só acorda para o almoço. Engulo o meu choro e você faz uma dramatização completa, com direito a plateia e pipoca. Você cobra atenção eu solto a sua mão. Peço abraço, você diz estar com calor. Gosto de dormir apertadinha, você precisa de espaço. Eu tomo cerveja, você fala de maturidade. Peço paciência, você diz não haver tempo. Penso em filho, você quer liberdade. Quanto mais perto você está mais preciso do meu lugar. Gosto de teoria você prefere colocar em pratica. Acho explicação pra tudo e você aposta no acaso. Você não suporta o cheiro do cigarro, eu fumo por nervosismo. Você conta que já amou tanto, eu nunca me entreguei a ninguém. Você é o meu sol, mas às vezes preciso usar filtro solar pra evitar queimaduras. Eu gosto sempre do mesmo, você tenta inovar a todo o momento. Cura o meu mal e eu coloco juízo em ti. Eu escolho bem as palavras, você não pensa duas vezes em dizê-las. Você é sempre sim, eu fico no talvez. Sou cheia de tatuagens, você diz não gostar de nada que dure para sempre. Eu amo pessoas, você prefere os animais. Digo que no futuro vamos nos casar. Você diz que o futuro é agora. Você me pede em casamento. Eu acho que é brincadeira e rio na sua cara. Você se ofende. Eu digo que o meu amor é seu. Você dá aquele sorriso de canto de boca. Ficamos, você e eu, mais ou menos satisfeitos.


ouvindo Nescafé - Apanhador Só

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Podemos enfeitar domingos

Nós só conversamos duas vezes, até trocamos algumas mensagens, mas nada demais. Te leio sempre, vejo suas fotos e acompanho suas sacadinhas bem humoradas na internet dias após dia. E isso é tudo. Mas é o bastante pra saber que temos uma sintonia muito forte, gostos parecidos e uma mesma ideologia de vida. Tenho certeza que se um dia saíssemos para um café passaríamos a tarde e a noite toda conversando sem nem ao menos notar a passagem do tempo, sei que temos muitos assuntos em comum e que fluiria naturalmente, coisa que não acontece por meios eletrônicos. Nos daremos melhor pessoalmente, tenho certeza. Ou não, porque pode acontecer que eu fique tão hipnotizada pelas suas covinhas e por esses olhos cor de mel–levemente esverdeados que só consiga te olhar. Mas acho que vale o teste, um dia ainda te convido pra sair por aí sem compromisso. Te convido para fazer acontecer aquela música do Cícero que você tanto gosta, aí podemos ver filmes, discutir caetano, planejar bobagens, morrer de rir. Só ter dois filhos que acho muito, mas se você quiser podemos ter um cachorrinho. Você topa?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

mon petit


Eu não sei o que fazer com você. Quando acho que estou te ganhando você vem e corta todas as esperanças. Eu queria muito saber da tua historia para quem sabe entender um pouquinho do que se passa nessa sua cabecinha dura. Num dia você me entrega muito, dá bem mais que eu esperaria receber, num outro dia você vem e tira tudo.

Mas eu sinto que não é verdade, que você fala aquilo tudo pra se proteger de algo que você esconde de você mesma. Talvez essa foi a forma que você encontrou para se sustentar, como se repedindo essa sua verdade tudo isso fosse morrer, mas acontece, pequeno gafanhoto, que assim como o inconsciente só aparenta ter morrido, esses sentimentos abafados também regem por essa lógica e quando menos esperamos somos pegos de surpresa.

Eu sei que a vida é complicada, sei que há pessoas que deveriam nos dar amor acima de tudo, mas não dão, ao contrário, elas nos machucam fisicamente e emocionalmente, o que é ainda pior. Sei que tem muita gente que por diversos motivos não pensa e vai nos magoando, nos traindo, nos desvalorizando de tal forma que saímos com a sensação de ser um nada, desacreditados de tudo, do amor, da amizade, da lealdade.

Mas temos que ter muito cuidado com o que fazemos com isso, porque como diz aquele filósofo famoso “não importa o que fizeram com a gente, mas sim o que fazemos com o que fizeram”. E eu fico com vontade de te falar isso, te falar pra você ter cuidado com o que está fazendo com todas essas cicatrizes, por que sem perceber você pode estar repetindo isso.  Fico com vontade de te falar que acredito em você, acredito na pessoa que você é, e sei que você não tem vontade de se igualar aos outros. Falaria que tenho muita vontade de te ajudar a voltar a acreditar nas pessoas, nos amores, nos amigos. A cuidar de você até você reacreditar, a dormir bem, a amar. Sei que não posso falar que nunca vou te machucar, que nunca vou te fazer chorar, porque, assim como você, sou humana, e humanos erram.

Mas hoje em dia falar sobre isso tudo tá tão ultrapassado, pensa bem, que coisa brega falar de sentimentos, de esperança, de amor, então fico aqui calada, apenas torcendo por você, te querendo bem, sempre.

E sei que é recíproco, mesmo você tendo afirmado que não.




                                                                            com muito carinho e afeto, Marina.

ainda é tempo



Essa não é mais uma carta de pedido de desculpas. Já pedi demais. É só uma forma de te lembrar tudo que vivemos, de lembrar-te o quanto fomos felizes e o quanto ainda podemos ser. É uma forma que encontrei de levar você a pensar em tudo, a colocar na balança e ver o que pesa mais. Se mesmo depois de pensar você ainda achar que o melhor é se afastar, eu juro que te deixo ir, não procuro mais, sumo de verdade. Mas antes pensa em tudo. Pensa nas nossas tardes. Nos nossos planos. Nas nossas conversas. Nos nossos abraços. Em nós. Eu sei que não está fácil, que é muita briga, muito choro, muitos pedidos de perdão. Mas sei também que é muito amor, muito querer bem. Muito querer. Te quero hoje. Te quis ontem. Te quero sempre. Você me faz melhor. Eu ainda tenho tanto a fazer por você. Não quero ter que me acostumar a ser sem você. Quero ser com você. Quero você. Só você.

verdade e/ou desafio

Você diz que eu não me importo, que sou durona e não levo os sentimentos dos outros em consideração, que é só perceber que estou me envolvendo muito pra pular fora. Digo que você, como sempre, está exagerando. Você responde que eu sempre fiz isso por receio de me entregar a alguém, que hoje eu já me acomodei e não consigo mais mudar.

Pois vai lá, te desafio a me fazer te amar.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

prêmios

E ai que percebi que não me lembro mais da sua voz, do seu cheiro, do tamanho do seu abraço. Não queria que tivesse sido assim. Não queria ter me acostumado com a sua ausência. Você foi tanto pra mim e hoje não é mais. Dói. Dói ainda mais por saber que foi minha culpa. Machuca lembrar o quanto te fiz chorar. Me rasga de forma mais forte saber que eu poderia ter sido o seu amor, seu grande amor, e perdi tudo isso por nada. Me sinto num daqueles jogos de programas de auditório onde o participante, sem saber, troca um carro, uma viagem e um cheque por uma garrafa usada e uma banana. É isso, me sinto idiota por ter trocado você por uma banana. Mas são escolhas. Escolhi errado e tenho que aceitar.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Minha Queridinha

Hoje faz 80 anos que você veio. Mês passado fez 15 que você foi. 15 anos. 5,475 dias depois e eu ainda choro a sua partida. Egoísmo, eu sei, seu corpo já não suportava mais. A dor física era tamanha, mas a esperança era maior ainda. E isso foi uma herança para todos nós, vó. A esperança de tempos melhores, a esperança do amor prevalecendo sempre, a esperança de continuar. De sorrir a cada pequena, minúscula vitória. De agradecer por um remédio que não causou enjoo. De sorrir por ter conseguido dormir a noite toda sem uma crise respiratória. De poder engolir sem dor a sua comida preferida. Se existe mesmo aquilo de que cada um vem ao mundo com uma missão, a sua com certeza foi a de nos unir, de nos ensinar sobre o amor e nos mostrar que felicidade são pequenos momentos de prazer, felicidade é ouvir uma música e sair dançando pela casa, é preparar sua comida preferida e se deliciar comendo com gosto, é reunir a família toda num dia qualquer e virar a noite contando historias e falando de amor. E exatamente por isso seria egoísmo nosso pedir que a senhora ficasse mais. Essa doença cruel roubou muito da senhora, sua disposição, suas danças, seu paladar, e por fim estava roubando o que a senhora tinha de melhor, seus sorrisos, sua felicidade.

O que me conforta e deixa a dor um pouquinho menor e saber que a senhora tá bem melhor ai. Seu cabelo cresceu, deve tá branquinho, seu corpo não dói mais, você pode comer o que quiser e não tem mais nenhum problema pra respirar. Certeza que a senhora tá dançando muito no meio das nunvenzinhas, né. Então continua ai feliz, olhando por nós, que daqui estamos fazendo de tudo pra regar o que a senhora plantou com tanto amor. Tenho certeza que se hoje somos o que somos, é por sua conta.

E guarde seu melhor abraço pois ainda nos encontraremos.


Até breve. Marina

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Esclarecimentos

Parabéns! Você fez com o que todo mundo tanto falou se confirmasse. Você conseguiu, aos poucos, me apresentar o seu grande lado imaturo e egoísta que eu insistia em não ver. Você está conseguindo transformar todo o orgulho que eu tinha em pequenas vergonhas. Você foi petulante e antes o que eu fazia de boa vontade virou obrigação. Até o abraço que era indispensável hoje não me apetece mais. Assumo que por teimosia tento escavar algo bom, procuro atitudes que me lembrem dum outrem que já não existe mais na esperança de não perder tudo. Mas sinto que essas pequenas coisas estão cada vez mais raras. Prevejo um grande afastamento, e, pelo tanto que te conheço, sei que você só perceberá quando eu já estiver longe, muito depois do tchau.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Lendo cartas antigas percebi que muitas poderiam ser endereçadas a pessoas atuais. Medo de estar apenas repetindo histórias.