100 dias de gratidão

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Minha Queridinha

Hoje faz 80 anos que você veio. Mês passado fez 15 que você foi. 15 anos. 5,475 dias depois e eu ainda choro a sua partida. Egoísmo, eu sei, seu corpo já não suportava mais. A dor física era tamanha, mas a esperança era maior ainda. E isso foi uma herança para todos nós, vó. A esperança de tempos melhores, a esperança do amor prevalecendo sempre, a esperança de continuar. De sorrir a cada pequena, minúscula vitória. De agradecer por um remédio que não causou enjoo. De sorrir por ter conseguido dormir a noite toda sem uma crise respiratória. De poder engolir sem dor a sua comida preferida. Se existe mesmo aquilo de que cada um vem ao mundo com uma missão, a sua com certeza foi a de nos unir, de nos ensinar sobre o amor e nos mostrar que felicidade são pequenos momentos de prazer, felicidade é ouvir uma música e sair dançando pela casa, é preparar sua comida preferida e se deliciar comendo com gosto, é reunir a família toda num dia qualquer e virar a noite contando historias e falando de amor. E exatamente por isso seria egoísmo nosso pedir que a senhora ficasse mais. Essa doença cruel roubou muito da senhora, sua disposição, suas danças, seu paladar, e por fim estava roubando o que a senhora tinha de melhor, seus sorrisos, sua felicidade.

O que me conforta e deixa a dor um pouquinho menor e saber que a senhora tá bem melhor ai. Seu cabelo cresceu, deve tá branquinho, seu corpo não dói mais, você pode comer o que quiser e não tem mais nenhum problema pra respirar. Certeza que a senhora tá dançando muito no meio das nunvenzinhas, né. Então continua ai feliz, olhando por nós, que daqui estamos fazendo de tudo pra regar o que a senhora plantou com tanto amor. Tenho certeza que se hoje somos o que somos, é por sua conta.

E guarde seu melhor abraço pois ainda nos encontraremos.


Até breve. Marina

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