100 dias de gratidão

sábado, 7 de maio de 2011

carta aberta de agradecimento à D. Edth*

Prezada D. Edith

Como vai a Senhora? Espero que bem. Estou escrevendo essa carta porque fui inundada de sentimentos tão fortes, tão intensos, que precisavam sair de alguma forma, e achei que uma maneira interessante seria escrevendo uma carta aberta de agradecimento à Senhora.

No ultimo mês tive o prazer de conhecer as duas magnificas obras que a senhora criou, a “Casa das Meninas” e a “Vila Rosa”, já havia ouvido falar de ambas, mas não imaginava a grandeza que estavam envoltas. Assim, através de um estágio da faculdade, tive a felicidade de conhecê-las.

Conto-lhe que passei por três fortes sentimentos nesses encontros. O primeiro deles, que veio de imediato, foi uma tristeza muito forte de ver aquelas menininhas desprotegidas e aqueles senhores tão abandonados, tão sem afeto e perspectivas de futuro. Em seguida fui acometida por um sentimento nada bonito, mas muito intenso, a raiva; uma raiva muito grande de nem sei quem, talvez de quem tenha abandonado aquelas pessoas que já deram muito de si pra vida e aquelas outras que ainda têm muito a dar, ou talvez do estado por não resolver aquela situação ou talvez de mim mesma por ter tampado os olhos pra aquelas pessoas por tanto tempo, não sei, talvez uma mistura de ambos. Ainda meio amargurada com tudo isso caiu em minhas mãos o seu livro “Do Nascer ao Por do Sol”, e confesso-lhe que já tinha uma vontade muito grande de conhecer a Senhora, pois os idosos sempre falam de ti com muito carinho, muita gratidão e muita saudade. Assim fui ler o livro com o coração aberto, e a medida que ia passando as paginas vinha sendo tomada pelo terceiro sentimento, um sentimento mais forte que a tristeza e a raiva, o sentimento de gratidão e de orgulho por tudo que a Senhora fez por eles.

Através da sua história, contada de forma direta e objetiva, eu pude ver que se de um lado existem pessoas, que tendo os seus motivos, abandonam uma filha recém-nascida que só precisa de leite e carinho, que largam um pai que já fez tudo que pode pra esse filho, que abandonam à própria sorte uma mãe doente e sem nenhuma condição de lutar pela própria existência, do outro lado existe pessoas como a Senhora, que deixam em segundo plano sua própria vida, sua própria filha e seus próprios pais pra lutar e ter como ideal a vida desses que com menos sorte foram abandonados. Pessoas que como a Senhora não tiveram vergonha de ir de porta em porta pedindo por ajuda e que com muita luta, sacrifício e fé conseguiu criar mais que um lugar pra essas pessoas morarem, criou um lar, tendo a preocupação de dar um mínimo de conforto, de bem-estar, de afeto. Não é atoa que a Senhora é tão queria por eles.

A Senhora agradece em seu livro ter sido capaz de ir do “Nascer ao Por do sol”, mas o que fica claro, D. Edith, ao conhecer a Vila Rosa e A Casa das Meninas é que a senhora foi, é e, arrisco a dizer, sempre vai ser o Sol da vida daquelas menininhas e daqueles idosos.

Assim, após conhecer mais um pouquinho da história da Senhora, da história por trás desses dois filhos que a Senhora gerou com tanto carinho e esmero saio com a sensação de que por mais que o mundo esteja passando por um completo caos, com pessoas sofrendo e fazendo sofrer, pessoas desamparadas, descuidadas e sendo tratadas como qualquer coisa menos como seres humanos, sei que ainda há esperança. Sei disso quando vejo um sorriso no rosto daquele idoso debilitado que já não acredita ter porque sorrir, sei disso quando ganho um abraço daquela menininha acanhada que precisa tanto de colo, sei disso quando ouço um muito obrigada daquela senhorinha bonitnha, de forma que tenho a mais absoluta certeza que vale a pena viver e lutar por dias melhores. E espero de todo coração que eu consiga de alguma forma ajudar a regar essa planta fruto da semente que a Senhora plantou de forma tão grandiosa.

Hoje, D. Edith, eu, as meninas, os velhinhos e toda Patos de Minas só temos uma coisa para falar pra senhora: Muito obrigada.

                                                              Com muito, muito carinho e respeito

                                                                                         Marina Mendes


*Edith Gomes de Deus Melo, criadora e fundadora da Casa das Meninas e da Vila Rosa.