100 dias de gratidão

domingo, 29 de dezembro de 2013

todo fim carece um novo começo

Tantas coisas cabem em 365 dias. Muitas coisas importantes, outras nem tanto. Olhando de longe 2013 foi um ano bom, ano de aperfeiçoar escolhas. Olhando mais de perto foi um ano intenso, ano de vórtice. Foi uma era de aprender e apreender.

Lá no inicinho do ano escrevi que “Para 2013 eu não farei promessas nem listas, só quero deixar aqui registrado que vou tentar com toda a minha fé ser mais eu, lutar por aquilo que amo e aquilo que me faz feliz, o resto será consequência.”.

É com um gostinho bom que digo que consegui isso tudo. Lutei muito por aquilo que acreditava, tive lutas internas, lutas armadas, houve também derrotas. Mas colhi muito mais consequências boas que ruins. Ri mais do que chorei, fiz mais bem do que sofrer. Tive mais encontros que partidas. Conheci gente linda que muito me acrescentou. Conheci gente que me fez lembrar que a vida é doce. Conheci gente que me fez acreditar em mim mesma.

Conheci muito de mim esse ano. Perdi certezas, ganhei dúvidas. Aprendi a acreditar. Acreditei em muita coisa. Acredito em muita coisa. Arrisco a dizer que me amo mais, ou ao menos não me detesto tanto. Me orgulho muito das escolhas que fiz e de quem fui me tornando, sei mais sobre os meus caminho, meus pensamentos e sobre meus atos. Sei também do que me faz feia e de tudo aquilo que me dói. Tenho aprendido a conciliar com meu absurdo.

Para o próximo ano que vem vindo tenho muitos planos. Quero tanto para 2014. Quero expectativa, quero frio na barriga, quero realização. Quero dar tchau, mas mais que tudo dizer oi. Quero aprender, quero apreender e quero compreender. Quero afeto verdadeiro, amor tranquilo, abraço quente. Quero dividir carinho, experiências, cervejas. Quero chorar, quero alguém que me ofereça abraço e lenço. Quero organizar as gavetas, quero jogar fora velhos amores e deixar espaço para o novo entrar.  Quero dias ensolarados, tardes frescas, quero noites estreladas. Quero menos cobranças, menos incertezas e mais serenidade. Quero coragem para ir em frente, quero cautela para saber quando devo ir. Quero ir. Quero viajar, quero conhecer o novo, quero voltar. Quero tudo.


Que venha a passagem, o carnaval, o último ano de faculdade, que venham as viagens, a copa, as férias, que venha meu aniversário, os 22, o amor, que venha a formatura, a profissão, que venha o futuro. Que venha 2014. Com tudo!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

meu presente de natal

Pretty B.

Teu colorido me encanta. Você é tão humana. Tem sentimento, tem coração. Gosta de música, do dia, da simplicidade. Tem amor, um grande amor por alguém, e sentiria falta se não tivesse. Sabe guardar segredo sem se sacrificar. Já foi enganada, pois todos os amigos são. Não é pura, nem de todo impura, mas não é vulgar. Tem um ideal e medo de perdê-lo. Tem ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de fazer o bem. Sente pena das pessoas tristes e compreende o imenso vazio dos solitários. Sabe conversar de coisas simples, mas também de coisas importantes. Você me mostrou que não dá pra viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Você entrou na minha vida por acaso, mas não está nessa vida por acaso, tenho certeza que tens um caminho luminoso pela frente. Eu sei que teu futuro vai ser brilhante, na mesma intensidade da tua alma. A tua força artística nata e a tua personalidade incrível vão te levar tão longe. Não deixe nunca de ser essa pessoa livre, que não tem medo do ridículo e nem de experimentar a vida de todas as formas possíveis. Criatividade, arte e todas as cores para você, sempre. Feliz natal, meu amor.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A razão

Outro dia você contou que anda lendo isso aqui e me questionou “do que é feito o samba?”. Na hora não soube responder, mas hoje lhe digo: o samba é feito de você. Sim, de tudo que você trouxe nesses tantos anos de convívio diário e outras vezes nem tão diário assim. O samba é feito do que você passou a representar na minha vida. O samba é feito de muito amor, algumas vezes de dor e quase sempre de muita saudade. Criei vários personagens, varias personalidade para falar unicamente de você e de mim.

Você pode dizer que esse lugar existe antes de nos conhecermos, posso dizer que é verdade, mas que você já existia em mim muito antes de te saber em carne e osso. Não me chame de galanteadora barata. É tudo verdade, mesmo minhas histórias inventadas. Criei mundos, inventei estórias pra poder gritar a falta que sinto de você. Pra poder gritar o quanto te amo. Pra poder dividir um pouquinho do muito que tenho pra você.

Parafraseando descaradamente a banda que você adora: desde que você chegou eu não sambo mais em vão!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

das coisas nem tão bonitas da vida

Ainda é sobre a porta fechada, a bagunça do cachorro, as compras do mês. Nunca é sobre a gente. Ta faltando sonhos divididos entre nós dois. Não sei dos seus planos, só das suas burocracias cotidianas. Nós moramos na mesma casa, dividimos a mesma cama e ainda assim estamos léguas de distância.

Outro dia percebi que perdemos a delicadeza, não esperamos mais pelo outro, não importa se um se desembrulhou durante a noite ou se o outro saiu sem casaco, já somos bem grandinhos para nos cuidarmos.  

Eu estive tão segura do seu amor que não me preocupei mais em te encantar, sinto que por muitas vezes você não me deseja mais. Viramos amigos, os melhores amigos. Isso não me basta. Eu preciso ser olhada, preciso sentir que alguém espera por mim, preciso sentir vontade de esperar alguém.

Quero não só dividir as contas, mas voltar a dividir o almoço, o cigarro, o banho. Sinto falta de alguém que esfregue minhas costas, que diga que me ama tanto que não basta estar ao meu lado, tem que estar dentro de mim. Sinto falta da gente.


Sei que você está cansado das minhas extensas palavras, cansado do meu drama. Mas eu estou cansada do seu silêncio. Cansei de ter que adivinhar suas respostas. Precisamos voltar a falar a mesma língua ou nos mudarmos, cada qual para o seu mundo, de uma vez. Não quero interpretes, nem dicionários. Quero te ler, te ouvir, te sentir inteiro. Ou nada. 

Para Pedro.

domingo, 20 de outubro de 2013

Ainda tem muito de você em mim







Ela dizia que se chamava Lucia, se é verdade nunca vou saber.

Lembro a primeira vez que a vi. Nos corredores da faculdade de humanas, com um livro grosso nas mãos e um sorriso enorme no rosto. Me encantei, claro.

Fui aproximando aos poucos. Descobri que Lucia tinha voz doce, olhos escuros e uma personalidade forte. Estudava literatura, escrevia poemas, era apaixonada por margaridas e não seguia regras.

Não me lembro exatamente como se deu, sei que um dia trocamos um sorriso, em outro alguém empresta uma caneta, depois já estamos nos apertando na mesma cama. Até que chegou uma hora em que éramos praticamente inseparáveis, passávamos as manhãs discutindo arte e tomando café forte. Nas tardes sonhávamos planos de futuro deitados nos gramados da universidade e as noites deixávamos para as musicas e as sacanagens em seu apartamento.

Falando em apartamento. Sempre que ouço falar em rua das margaridas, numero 375, só vem Lucia, amor, felicidade. Foi nesse lugar que vivemos os melhores (e piores) momentos. Aquele lugar pequeno, mas tão marcante, parecia uma ilha de possibilidades no meio dessa cidade feia. Com cores forte, muitos livros, cheiro de cigarro e cama desarrumada. Era a própria Lucia em forma de lar.

Lucia era uma menina-mulher, uma confusão em forma de pessoa. Mas pra mim foi mais, bem mais. Foi professora, me ensinou quebrar tabus de nudez, sexo, bebidas, loucuras, amor. Lucia me ensinou a amar.

Brincava que Lucia era um tsunami emocional, uma paixão que te arrebata por dentro. Um verdadeiro furacão, e como todo furacão ela veio bagunçou tudo, mudou minha vida para sempre e passou.

Amo Lucia por tudo que vivemos, por tudo que não vivemos, por todas as suas loucuras, por todas as suas falhas, por ter sumido e me deixado aqui totalmente desintegrado. Amo Lucia por ter me feito levantar na marra e me reconstruir. Amo Lucia pelos nossos mil planos de vida e por tudo que ela vai viver longe de mim.

Sei que hoje ela sobrevive em algum canto do universo, o que já é o bastante para me manter aqui, são, sabendo que ela existe do outro lado, oposta, complementar, mas ao mesmo tempo tão diferente, tão ela, só ela. Alguém para se amar e jamais esquecer, porque essa é a Lucia de ser.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

C.

Vai fazer um ano que lhe devo noticias ou ao menos um sinal de vida, que seja. Mas não consegui, eu precisava desse tempo para digerir sua falta.

Aconteceu tanto coisa nesses meses, vivi tanta história que eu queria falar só com você e com mais ninguém. Tenho saudades.

Eu sinto muito pela forma que eu agia com você durante o tempo em que estivemos próximas, fui ingrata, não conseguia reconhecer sua importância. Mas eu sei que você sabe que isso tudo era só uma defesa minha, sei que você sabe o quanto valorizo tudo aquilo. Hoje eu sei que se estou conseguindo andar, mesmo que a passos lentos e cambaleantes, foi porque quando mais precisei você me ajudou a levantar, depois foi minha muleta até que eu conseguisse enxergar que eu tinha meus próprios pés para me sustentar.

Mudei muito nesse tempo e talvez por isso esteja te escrevendo hoje. Você sabe desse lugar aqui onde deixo bilhetes perdidos, gostaria de verdade que você lesse este. Gostaria que você soubesse que estou bem e que ouvisse de mim o meu muito obrigada.

Ainda quero te encontrar por ai, te dar um abraço, quem sabe. Mas não hoje, nem amanhã, um dia talvez.

C, te agradeço muito, por tudo.

Marina

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

B.


você acredita quando digo que você trouxe cores?

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sem saber amar não adianta amar profundamente

Depois de quatro anos juntos tem dois meses que não te vejo. Dois meses sem ouvir sua voz, sem sentir seu cheiro. Amigos me contam de você. Sei que está contente com o trabalho e que cortou o cabelo. Mas não sei o que você tem sentido, o que você almoçou e o que vai fazer nas férias. Sinto sua falta o tempo todo, em cada detalhe do meu dia falta você. Queria saber quando nos perdemos. Quando viramos monstros. Nossa insatisfação aparecendo de forma absurda, sendo expressa fisicamente, nos matando emocionalmente, tudo numa tentativa frustrada de nos fazer ouvir. - Nos fazer ouvir- engraçado isso né, nos aproximamos justamente pela nossa escuta, pelas nossas conversar. Agora já não conseguimos mais nos falar por cinco minutos sem nos chocar. Parece que não somos mais compatíveis. Eu gritava por carinho você ouvir que eu precisava de socos. Você me contava todos os dias sobre a sua falta de liberdade, sua vontade de conhecer o mundo e eu entendia outra coisa, ia diminuindo ainda mais seu espaço. Um dia veio o primeiro tapa, depois o arrependimento e a desculpa. A humilhação veio, trouxe o choro, o dormir no sofá. Reconciliação, sorrisos, ciúmes, empurrão, grito. Não veio mais nada. Tudo se foi. Ficou um amor doentio e um não aguentar mais. Tenho certeza que entramos nessa relação para sermos felizes. E fomos. Mas algo aconteceu e isso foi se perdendo pelo caminho. Fomos nos perdendo. Nunca tive a intenção de te machucar e acredito que você também não tenha tido, mas nos machucamos muito. Nos tornamos nossos demônios, despertando os nossos piores lados. Dois meses atrás alguém gritou chega. Não tínhamos mais recursos pra suportar isso. E acho que hoje ainda não temos. Mas tenho amor, por isso te escrevo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

dia dos namorados

- Abre a porta!!

-...

- Eu sei que você tá me ouvindo... o que custa abrir essa maldita porta? Tá bom! Tá tudo bem, não precisa abrir. Só ouve... não precisa ser dessa forma, não precisamos sofrer tanto. Eu sei que errei, mas não foi por mal. Você sabe que eu tenho esse jeito meio errado de fazer as coisas... você até costumava achar graça nisso, me perdoa, vai. Nada entre nós nunca foi fácil, porque desistir agora? Eu te amo tanto. Amo esse seu jeito explosivo, amo suas tempestades. Me diz como você vai conseguir desistir dos nosso planos? Lembra da nossa casinha azul de cerquinha branca, nosso cachorro, nossas crianças. Não desiste disso. Não desiste da gente.Me dá outra chance, para de me afastar de você, vamos fazer isso juntos. Você sabe que nós podemos dar conta disso. Já passamos por coisas piores e sobrevivemos. A gente é bem maior que isso tudo. Eu sei que tá difícil, mas a gente consegue. Eu tenho mil defeitos, você tem outros mil, mas nos apaixonamos assim. Tenho certeza que se você não fosse tão mandona, tão certinha eu não teria me apaixonado. Posso ser moleque, egoísta, mimado, mas eu te amo tanto. Eu amo te socorrer quando você vê que não consegue sozinha, amo te dar colo, amor levar broncas de você. A gente é assim. Nessa briga nossa ninguém tem razão, tenta entender. Me deixa voltar, to com saudade de você, da nossa cama, da nossa vida. ... Merda! Abre a porta vai!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

domingo, 2 de junho de 2013

Bem que se quis

E ai que a gente pensa que esqueceu. A gente realmente acredita que esqueceu, até que toca no rádio aquela velha música. Tudo volta. A ferida se abre a música acaba e você fica ali, sem saber o que fazer com o que sobrou. É engraçado pensar que sempre sobra algo, uns cd’s na estante, uma bolacha que o outro gosta no armário ou até um restinho de amor bem no fundo do coração.

Outro dia encontrei uma camiseta sua em uma gaveta, sem pensar levei até o nariz e senti o seu cheirinho, aquilo me doeu tanto. Apesar de tudo eu ainda sinto a sua falta. Deveriam criar um manual de como não sentir falta de alguém que se convive diariamente e de uma hora pra outra se afasta, porque tá difícil aprender sem ajuda. Deveriam ensinar como dormir sozinha nessa cama que antes eu reclamava ser pequena e hoje sobra tanto espaço, deveriam ter um capitulo todinho explicando como agora só minhas escolhas importam e como reaprender a ir ao cinema sozinha e depois sentar pra tomar um café sem ter alguém pra discutir sobre o filme. É preciso, mas não é simples, por isso careço de ajuda.

Tem dias que fico pensando o que fizemos com a gente, o quão longe fomos capazes de chegar, o quanto nos magoamos. Como diz aquela música “o quê que a gente não faz por amor?”, amor nunca nos faltou. Acho até que o nosso erro foi por amarmos demais, chegamos a um ponto que o amor em excesso nos sufocava e aquilo tinha que sair de alguma forma, infelizmente saia de uma forma nada digna.

Comigo, por vezes, você foi deus e em muitas outras meu diabo. Um diabo-deus ou um deus-diabo. Com você eu fui grande, dividimos uma casa, planos, sonhos e muitos sorrisos. Com você fui forte, enfrentei uma mudança de carreira, de cidade e de vida. Com você fui doce, aprendi a demonstrar todo meu afeto em pequenas sutilezas. Com você fui feliz, escandalosamente feliz. Mas com você eu também fui um mostro, te amedrontei e te tirei noites de sono. Com você eu fui um ladrão, roubei sua paz. Com você eu fui fraca, você me sugou tudo aquilo que eu tinha de melhor. Com você fui triste, escancaradamente triste.


Às vezes sinto vontade de te chamar pra sentarmos em um café onde pudéssemos conversar, conversar e conversar sobre tudo e ao mesmo tempo sobre nada. Bater um longo papo sobre filosofia ou sobre filosofia nenhuma. Sobre o nada e o tudo. E o meio, que foi isso que nos sobrou. É difícil aceitar esse lugar em que nos colocamos, perdemos tudo, mas ainda não viramos nada. Mas prefiro não fazer isso, sabemos onde vamos chegar e já estou farta de causar e receber feridas. Melhor ficarmos assim, no meio, aparentemente indiferentes.

tripé

Ina, Nina, Marina

Andam juntas essas três

Brincam de serem meninas, mulheres

Reencontram-se numa única

Imagina formas, poses, cores

Elege a melhor para si

Doce, forte, poderosa


Gosto de uma. Gosto das três.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Hoje acordei com uma saudade de você e de todo o bem que essas malditas covinhas me fazem.

domingo, 28 de abril de 2013

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Procura-se um amor que saiba o que é vaca profana, saiba quem foi freud e aprecie hortênsias.

Procura-se alguém que goste de ser a parte de fora da conchinha, que goste de abraçar e que me acaricie até eu dormir com o som da sua respiração.

Quero alguém que adore rock, de todos os estilos, e que saiba falar sobre, mas que tope dançar pop em uma boate num dia qualquer ou me fazer companhia em uma apresentação de jazz.

Alguém que goste de cerveja, que não importe de ser companhia em alguns porres. Alguém que aprecie a poesia de se sentar em uma bar às 17 horas de uma sexta-feira. Alguém que saiba preparar drinks.

Procura-se alguém que goste de animais, que trate bem os cachorros e afofe os gatinhos. Mas que goste mais ainda de humanos.

É importantíssimo que saiba respeitar o espaço de cada um, que nos dê momentos de folga pra ficar com os meus outros amores, ou sozinha mesmo. É fundamental que tenha outros amigos e que goste de fazer programas só com eles. É preciso que tenha outros interesses e uma vida aquém.

Quero alguém que goste de ler. Poesia, mecânica, literatura moderna, não importa, desde que tenha isso como paixão.

É preciso que tenha um talento para eu poder elogiar, seja tocar algum instrumento, cozinhar, fazer artesanato ou quem sabe resolver questões de física quase improváveis de serem solucionadas.

É primordial que seja alguém que me faça rir. E que ria de si mesmo, de mim e da vida. Alguém que deixe as coisas mais leves, que em momentos de crise e perante problemas tenha o bom humor como arma.

Quero alguém que entenda meus exageros, que respeite meus dramas e, por vezes, sucumba aos meus luxos.

Procura-se alguém que tenha bom gosto e saiba se vestir, mas que também goste do simples. Alguém que divirta-se da mesma forma em um restaurante bebendo vinho quanto sentado em uma varanda bebendo caipirinha.

Quero alguém que divida o banho, o lanche e os cigarros. Mas que cobre um preço por isso, normalmente em beijos.

Precisa-se de alguém que goste de falar, mas que mais ainda goste de ouvir. E que entenda o silêncio.

Quero alguém que saiba me ensinar algo e que se interesse pelo que eu tiver a oferecer.

Procura-se alguém livre, mas que não tenha medo de se prender. Alguém que acredite na independência, na companhia e no afeto.

É preciso de alguém maduro suficiente para discutir filosofia e politica mas que ache graça de vídeos de cangurus dançando folk. Alguém que passe horas e horas planejando viagens e aventuras, mas que também curta passar uma tarde inteirinha vendo seriados e comendo besteiras.

Quero alguém que faça planos pro futuro, que me olhe nos olhos e me abrace quando eu estiver brava.

Quero alguém que tenha a mente livre de preconceitos e de amarras, que seja adepto ao sentir, ao experimentar e que tenha prazer como religião.


Quero amor. Dos mais bonitos.

domingo, 7 de abril de 2013

Para alguém importante

Dizem que a primeira vez se ama mais e que as seguintes se ama melhor. Nada mais certo que isso. Você foi meu primeiro e, meu deus, como eu te amei. Era você e só você. Era carnal, intenso. Era muito. Amava cada fio de cabelo, conhecia cada expressão, cada pinta, cada detalhe. Começou errado, mas por insistência algo que não passaria de um beijo virou vários beijos, depois várias ligação e logo veio um final de semana completo só com nós dois num apartamento sem ver a luz do dia ou outras caras. Nesses dois dias inteiramente nossos eu descobri que só precisava de você, do seu cheiro e do seu gosto, o resto do mundo era só o resto. Em duas horas já sentia sua falta, em uma semana estava loucamente apaixonada e em alguns meses tinha certeza que era amor. E assim fomos indo. Dividimos nosso tempo, nossos cigarros e a nossa cama. Eu te amava mais e mais a cada dia. Aprendi a gostar das suas músicas e você passou a admirar meu papo chato sobre filosofias. Você me fez rir, me fez chorar e me fez mulher. Fizemos planos. Brigávamos muito, muitas cenas de ciúmes, muitos gritos, muito choro e muito sexo de reconciliação. Nos afastamos algumas vezes nesses anos, apareceram outras pessoas, mas não adiantava sempre voltávamos pros já tão conhecidos abraços. O tempo passou e alguma coisa aconteceu, ou melhor, várias coisas aconteceram, e todos aqueles empecilhos que antes fingíamos não ver foram ganhando peso. Ficou insustentável a diferença de idade, de fase da vida, de quereres. E uma hora não deu mais. Tive que pular fora, estava insuportavelmente pesado toda essa bagagem acumulada em tantos anos. Eu já não conseguia mais me ver em todos aqueles desenhos que tínhamos feito para nós. Você chorou, gritou, se desesperou. Mas não dava mais, estávamos em outro tempo. Você me odiou. Foi uma das coisas mais dolorosas que já me aconteceu. Mas foi. Passou, e exatamente por isso hoje eu posso escrever-te sobre. Hoje eu vejo o quanto era errada a nossa relação. Minto! Não era errada, era certa ao nosso modo, ao nosso desespero. Às vezes eu paro pra lembrar e acho bonita a ânsia que tínhamos em ser, é como se soubéssemos que teria um prazo de validade e, por assim saber, tínhamos que viver tudo de bom e de ruim elevado a potencia máxima. De tudo, o que mais me doía era saber que você me odiava tanto, saber que te fiz chorar, mas eu só queria que ficássemos bem, que nos respeitássemos, mas essa palavra não existia na época. Depois desse tempo, vieram outras pessoas, outros amores. Espero que um pouco da raiva tenha se esvaído. Ainda te tenho comigo, é indiscutível que você e aquele tempo são responsáveis por muito do que sou hoje. Se hoje amo melhor foi porque um dia te amei demais.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Deixe-me ir, preciso andar



Eu só queria que você entendesse que eu te amei muito, que você sempre vai fazer parte de mim. Mas acontece que tudo na vida tem um prazo de validade, e o nosso já deu. Já não nos fazemos bem como antes, ao contrário, só lagrimas, gritos e dor. Eu não quero isso pra gente. Eu não quero isso pra mim.

Eu só queria que você acreditasse que eu te desejo só o melhor, quero você feliz e realizado. Mas é só. Cheguei ao meu limite e cada vez que você insiste pelo contrário, mais certeza eu tenho.

Eu só queria que você entendesse que doi muito estar te falando isso, mas você está conseguindo apagar tudo que eu tinha guardado de bom. Hoje quando falam seu nome me vem à mente esse novo ser que você se tornou e que muito pouco me agrada. Já não o reconheço mais.

Eu só queria que você se lembrasse de quando dizíamos que um barco só flui se os dois remarem. O nosso barco não está fluindo, não por não remarmos, mas por remarmos pra lados opostos.

Eu só queria que você compreendesse que não estamos nos fazendo bem, que já deu. Eu preciso disso para continuar. Eu preciso continuar. Quero respirar. Quero ser eu. Me deixa ser?


[ao som de “preciso me encontrar” - cartola]

quinta-feira, 14 de março de 2013

sobre mofos, limpezas e amores

Às vezes é preciso fazer um limpa na vida. Tirar tudo aquilo que você já não usa mais e doar. É preciso se desfazer do que está acomodado, do que fica ali como esperança de um dia servir para algo. É preciso saber a hora de tirar da gaveta aquela velha amizade que está ali guardada com cheiro de poeira e que você sempre achou que teria uma oportunidade de vesti-la, não há. É necessário desfazer do antigo amor que está só ocupando espaço, amarrotando e ficando feio, é preciso doá-lo para que outros amores tenham lugar. É preciso desapegar de algo que não está usando mais, passá-lo pra frente para que ele possa voltar a ser real. É preciso abrir lugar para o novo chegar e se acomodar.

terça-feira, 12 de março de 2013

ajuda

Eu gritaria tanto, até perder a voz. Eu vomitaria tudo que tem aqui, até ficar oco. Eu me cortaria até sair todo o sangue que tenho nas veias. Eu colocaria uma música tão alta que não daria pra ouvir meus pensamentos. Eu faria qualquer coisa para acabar com isso que tá aqui dentro.

segunda-feira, 11 de março de 2013

parar para pensar

Eu sei que na maioria das vezes eu sou muito rude com você. Mas acontece que você é tão perdidinha, tão sem maldade, tão leviana que fico querendo te colocar na linha, só que também acontece que eu me esqueço que a minha linha certa talvez não seja a mesma que a sua, afinal somos tão diferentes. Eu brigo com você porque te amo, porque não quero ver você se ferrar mais uma vez. Brigo porque fico mal cada vez que algo da errado com você. Brigo porque fico chateada cada vez que você esquece uma prova. Brigo porque fico triste quando seus relacionamentos desandam ou brigo porque fico preocupada cada vez que você mata aula sem poder. Logo no inicio vi sua displicência e falta de malicia para encarar as situações, desde então sinto que você precisa acordar pra vida, precisa aprender a crescer, mas acontece que eu faço isso de forma errada. Não é dando bronca nem chamando sua atenção que isso vai acontecer. E eu também não tenho esse direito, afinal quem eu sou para te cobrar algo, não é mesmo? Por isso to aqui, da minha forma, te pedindo desculpas pelos puxões de orelha, pelas grosserias, pelas verdades que jogo na sua cara sem pensar. Prometo me controlar. Te amo.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Você e essa sua mania de me arrastar para o fundo do mar mesmo sabendo que eu não sei nadar.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Ali

Tão bonita, tão doce, tão diferente dos meus. O novo encanta, você me encantou no primeiro oi. Foi uma invasão com permissão, quase um reconhecimento. Tanto em comum e tanto ainda por descobrir. Qual será o tamanho do abraço, o cheiro dos cabelos e a forma de sorrir?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

os opostos se distraem



Eu vivo do futuro enquanto você tem os dois pés enfiados no presente. Corro 5 quilômetros  pela manha e você só acorda para o almoço. Engulo o meu choro e você faz uma dramatização completa, com direito a plateia e pipoca. Você cobra atenção eu solto a sua mão. Peço abraço, você diz estar com calor. Gosto de dormir apertadinha, você precisa de espaço. Eu tomo cerveja, você fala de maturidade. Peço paciência, você diz não haver tempo. Penso em filho, você quer liberdade. Quanto mais perto você está mais preciso do meu lugar. Gosto de teoria você prefere colocar em pratica. Acho explicação pra tudo e você aposta no acaso. Você não suporta o cheiro do cigarro, eu fumo por nervosismo. Você conta que já amou tanto, eu nunca me entreguei a ninguém. Você é o meu sol, mas às vezes preciso usar filtro solar pra evitar queimaduras. Eu gosto sempre do mesmo, você tenta inovar a todo o momento. Cura o meu mal e eu coloco juízo em ti. Eu escolho bem as palavras, você não pensa duas vezes em dizê-las. Você é sempre sim, eu fico no talvez. Sou cheia de tatuagens, você diz não gostar de nada que dure para sempre. Eu amo pessoas, você prefere os animais. Digo que no futuro vamos nos casar. Você diz que o futuro é agora. Você me pede em casamento. Eu acho que é brincadeira e rio na sua cara. Você se ofende. Eu digo que o meu amor é seu. Você dá aquele sorriso de canto de boca. Ficamos, você e eu, mais ou menos satisfeitos.


ouvindo Nescafé - Apanhador Só

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Podemos enfeitar domingos

Nós só conversamos duas vezes, até trocamos algumas mensagens, mas nada demais. Te leio sempre, vejo suas fotos e acompanho suas sacadinhas bem humoradas na internet dias após dia. E isso é tudo. Mas é o bastante pra saber que temos uma sintonia muito forte, gostos parecidos e uma mesma ideologia de vida. Tenho certeza que se um dia saíssemos para um café passaríamos a tarde e a noite toda conversando sem nem ao menos notar a passagem do tempo, sei que temos muitos assuntos em comum e que fluiria naturalmente, coisa que não acontece por meios eletrônicos. Nos daremos melhor pessoalmente, tenho certeza. Ou não, porque pode acontecer que eu fique tão hipnotizada pelas suas covinhas e por esses olhos cor de mel–levemente esverdeados que só consiga te olhar. Mas acho que vale o teste, um dia ainda te convido pra sair por aí sem compromisso. Te convido para fazer acontecer aquela música do Cícero que você tanto gosta, aí podemos ver filmes, discutir caetano, planejar bobagens, morrer de rir. Só ter dois filhos que acho muito, mas se você quiser podemos ter um cachorrinho. Você topa?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

mon petit


Eu não sei o que fazer com você. Quando acho que estou te ganhando você vem e corta todas as esperanças. Eu queria muito saber da tua historia para quem sabe entender um pouquinho do que se passa nessa sua cabecinha dura. Num dia você me entrega muito, dá bem mais que eu esperaria receber, num outro dia você vem e tira tudo.

Mas eu sinto que não é verdade, que você fala aquilo tudo pra se proteger de algo que você esconde de você mesma. Talvez essa foi a forma que você encontrou para se sustentar, como se repedindo essa sua verdade tudo isso fosse morrer, mas acontece, pequeno gafanhoto, que assim como o inconsciente só aparenta ter morrido, esses sentimentos abafados também regem por essa lógica e quando menos esperamos somos pegos de surpresa.

Eu sei que a vida é complicada, sei que há pessoas que deveriam nos dar amor acima de tudo, mas não dão, ao contrário, elas nos machucam fisicamente e emocionalmente, o que é ainda pior. Sei que tem muita gente que por diversos motivos não pensa e vai nos magoando, nos traindo, nos desvalorizando de tal forma que saímos com a sensação de ser um nada, desacreditados de tudo, do amor, da amizade, da lealdade.

Mas temos que ter muito cuidado com o que fazemos com isso, porque como diz aquele filósofo famoso “não importa o que fizeram com a gente, mas sim o que fazemos com o que fizeram”. E eu fico com vontade de te falar isso, te falar pra você ter cuidado com o que está fazendo com todas essas cicatrizes, por que sem perceber você pode estar repetindo isso.  Fico com vontade de te falar que acredito em você, acredito na pessoa que você é, e sei que você não tem vontade de se igualar aos outros. Falaria que tenho muita vontade de te ajudar a voltar a acreditar nas pessoas, nos amores, nos amigos. A cuidar de você até você reacreditar, a dormir bem, a amar. Sei que não posso falar que nunca vou te machucar, que nunca vou te fazer chorar, porque, assim como você, sou humana, e humanos erram.

Mas hoje em dia falar sobre isso tudo tá tão ultrapassado, pensa bem, que coisa brega falar de sentimentos, de esperança, de amor, então fico aqui calada, apenas torcendo por você, te querendo bem, sempre.

E sei que é recíproco, mesmo você tendo afirmado que não.




                                                                            com muito carinho e afeto, Marina.

ainda é tempo



Essa não é mais uma carta de pedido de desculpas. Já pedi demais. É só uma forma de te lembrar tudo que vivemos, de lembrar-te o quanto fomos felizes e o quanto ainda podemos ser. É uma forma que encontrei de levar você a pensar em tudo, a colocar na balança e ver o que pesa mais. Se mesmo depois de pensar você ainda achar que o melhor é se afastar, eu juro que te deixo ir, não procuro mais, sumo de verdade. Mas antes pensa em tudo. Pensa nas nossas tardes. Nos nossos planos. Nas nossas conversas. Nos nossos abraços. Em nós. Eu sei que não está fácil, que é muita briga, muito choro, muitos pedidos de perdão. Mas sei também que é muito amor, muito querer bem. Muito querer. Te quero hoje. Te quis ontem. Te quero sempre. Você me faz melhor. Eu ainda tenho tanto a fazer por você. Não quero ter que me acostumar a ser sem você. Quero ser com você. Quero você. Só você.

verdade e/ou desafio

Você diz que eu não me importo, que sou durona e não levo os sentimentos dos outros em consideração, que é só perceber que estou me envolvendo muito pra pular fora. Digo que você, como sempre, está exagerando. Você responde que eu sempre fiz isso por receio de me entregar a alguém, que hoje eu já me acomodei e não consigo mais mudar.

Pois vai lá, te desafio a me fazer te amar.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

prêmios

E ai que percebi que não me lembro mais da sua voz, do seu cheiro, do tamanho do seu abraço. Não queria que tivesse sido assim. Não queria ter me acostumado com a sua ausência. Você foi tanto pra mim e hoje não é mais. Dói. Dói ainda mais por saber que foi minha culpa. Machuca lembrar o quanto te fiz chorar. Me rasga de forma mais forte saber que eu poderia ter sido o seu amor, seu grande amor, e perdi tudo isso por nada. Me sinto num daqueles jogos de programas de auditório onde o participante, sem saber, troca um carro, uma viagem e um cheque por uma garrafa usada e uma banana. É isso, me sinto idiota por ter trocado você por uma banana. Mas são escolhas. Escolhi errado e tenho que aceitar.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Minha Queridinha

Hoje faz 80 anos que você veio. Mês passado fez 15 que você foi. 15 anos. 5,475 dias depois e eu ainda choro a sua partida. Egoísmo, eu sei, seu corpo já não suportava mais. A dor física era tamanha, mas a esperança era maior ainda. E isso foi uma herança para todos nós, vó. A esperança de tempos melhores, a esperança do amor prevalecendo sempre, a esperança de continuar. De sorrir a cada pequena, minúscula vitória. De agradecer por um remédio que não causou enjoo. De sorrir por ter conseguido dormir a noite toda sem uma crise respiratória. De poder engolir sem dor a sua comida preferida. Se existe mesmo aquilo de que cada um vem ao mundo com uma missão, a sua com certeza foi a de nos unir, de nos ensinar sobre o amor e nos mostrar que felicidade são pequenos momentos de prazer, felicidade é ouvir uma música e sair dançando pela casa, é preparar sua comida preferida e se deliciar comendo com gosto, é reunir a família toda num dia qualquer e virar a noite contando historias e falando de amor. E exatamente por isso seria egoísmo nosso pedir que a senhora ficasse mais. Essa doença cruel roubou muito da senhora, sua disposição, suas danças, seu paladar, e por fim estava roubando o que a senhora tinha de melhor, seus sorrisos, sua felicidade.

O que me conforta e deixa a dor um pouquinho menor e saber que a senhora tá bem melhor ai. Seu cabelo cresceu, deve tá branquinho, seu corpo não dói mais, você pode comer o que quiser e não tem mais nenhum problema pra respirar. Certeza que a senhora tá dançando muito no meio das nunvenzinhas, né. Então continua ai feliz, olhando por nós, que daqui estamos fazendo de tudo pra regar o que a senhora plantou com tanto amor. Tenho certeza que se hoje somos o que somos, é por sua conta.

E guarde seu melhor abraço pois ainda nos encontraremos.


Até breve. Marina

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Esclarecimentos

Parabéns! Você fez com o que todo mundo tanto falou se confirmasse. Você conseguiu, aos poucos, me apresentar o seu grande lado imaturo e egoísta que eu insistia em não ver. Você está conseguindo transformar todo o orgulho que eu tinha em pequenas vergonhas. Você foi petulante e antes o que eu fazia de boa vontade virou obrigação. Até o abraço que era indispensável hoje não me apetece mais. Assumo que por teimosia tento escavar algo bom, procuro atitudes que me lembrem dum outrem que já não existe mais na esperança de não perder tudo. Mas sinto que essas pequenas coisas estão cada vez mais raras. Prevejo um grande afastamento, e, pelo tanto que te conheço, sei que você só perceberá quando eu já estiver longe, muito depois do tchau.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Lendo cartas antigas percebi que muitas poderiam ser endereçadas a pessoas atuais. Medo de estar apenas repetindo histórias.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

cansada de viver catando migalhas de afeto.

O que será que será da vida, da morte, dos amores

Então que chegamos à última segunda-feira do mês e das férias. Há uma chuva fina, um frio leve e uma preguiça grande. Há também uma necessidade de escrever, de botar no papel todos esses pensamentos desorganizados que tanto incomodaram nesse mês em que estive totalmente à flor da pele. Entrei em crise, chorei, ri descontroladamente por puro nervosismo, me tranquei, me escondi, me entupi de remédios, fiquei afetada e falei mais que deveria.

Me vi completamente perdida e, para minha surpresa, me acharam. Me ajudaram. Me amaram. É sempre bom saber que tem algumas pessoas que nos gostam e nos querem bem. Mas muitas das vezes eu não sei lidar com isso. Tenho medo.

Há uma frase de um filme que fala que “nós aceitamos o amor que achamos que merecemos”. E isso resume todo esse mês de janeiro, os últimos anos e, porque não, a minha vida. Sempre amores errados, amores pobres. E quando digo amores estou dizendo de todos os tipos, amizade, família, parceiros.

O problema sempre foi mais embaixo, a não aceitação do outro é origem da minha própria não aceitação. O jeito torto de me gostarem e reflexo da imagem que passo de mim mesma. Eu ainda não consigo acreditar que alguém seja realmente capaz de gostar de mim assim, desse jeito, de graça. Isso vem constituído na minha personalidade, é preciso mudar, mas é doloroso, demorado e por vezes é até tentador permanecer na inercia.

Mas ai só pra mostrar que janeiro veio pra marcar, bem no finalzinho acontece uma tragédia, um incêndio numa boate que deixa mais de 230 mortos. Jovens, universitários, apaixonados, bêbados, amigos. Assim como eu e como os meus. E eu só consigo pensar em como permanecer na inercia depois de uma fatalidade dessas. Como continuar rejeitando amor, como continuar me matando por dentro, me machucando por fora com essa triste noticia, com a realidade de que podia ser eu ali morrendo ou vendo os meus amores morrer.


É estranho pensar que às vezes é necessário a presença da morte pra cogitar mudar a vida

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Vozinha querida, tenho sentido tanto a sua falta nesses últimos dias. Falta de alguém que me dê colo e enquanto acaricia meus cabelos fale que tem orgulho de mim, mais do que de todos os outros (apesar de que hoje eu sei que a senhora falava isso para todos os netos, mas na época eu realmente acreditava que era eu quem mais lhe orgulhava). E a senhora partiu tão cedo, nem me viu crescer, né vó. Não me viu tornar  uma mulher. Acho que se hoje a senhora estivesse aqui não se orgulharia muito dos rumos que eu fui tomando, sabe vó, eu me perdi nesse meio tempo em que a senhora se foi, eu me perdi de mim, dos meus pais e até de deus. Sei que a senhora iria ficar muito triste de saber disso, mas eu não soube cuidar das rédeas e quando vi já estava assim, essa desordem irritante e sofrida. Como se fosse um dos seus novelos de linha que embolaram e não dá pra achar a ponta e organizar tudo. E eu, vozinha, nessa procura pela ponta tenho me feito muito mal, por dentro e por fora. A senhora sempre falava que eu era a mais desgarrada, que iria embora conquistar o meu, e cá estou eu, vó, prestes a fazer 20 anos sem ter coragem suficiente pra ir buscar o que é meu. Na verdade eu tenho muito medo, medo de fracassar ainda mais, medo de ir, dar à cara a tapa, não conseguir e ter que voltar pra um lugar que não me pertence mais. Se bem que pra ser sincera eu nem sei se já pertenci a esse lugar. Não posso negar que já fui, e sou, muito amada aqui, mas não há a necessidade da minha presença. Acho que é isso que eu sempre busquei vó, um lugar onde eu seja tão importante ao ponto de sentirem minha falta caso eu me ausente. Aqui não existe isso, não mais, eu me ausentei tanto que hoje não faz mais diferença.


Há mais ou menos um ano atrás eu lhe escrevi desesperada, pedindo que rezasse por nós, pela minha mãe e pelo vô. Acho que a senhora mandou suas melhores vibrações, porque hoje eles estão muito bem, meu avô sarou e minha mãe nunca mais teve nenhuma recaída, tá até feliz de novo. Agora, um ano depois, vou ser mais egoísta. Peço que mande sua melhor energia pra mim, vó. Tenho estado muito cansada. Muito desacreditada do mundo. Tudo tem estado tão mecânico, tão sem sentimento. Acordo já pensando na hora de dormir, e assim, se vai a semana, o mês, o ano. Eu me lembro da senhora doente, prestes a fazer sua ultima cirurgia, sentindo muita falta de ar, num desconforto tremendo, mas continuava lá com aquele sorrisão na cara, dançando e alegrando a nossa casa. Mas eu infelizmente não herdei isso da senhora. Minhas heranças são todas do meu avô. Ele que sempre fala que chega uma hora da vida que viver fica insuportável. Eu, com muita vergonha, assumo que vez ou outra tenho sentindo isso ai. E sinto vergonha porque o meu sofrimento é fútil, é ridículo perto de tantos os outros. Mas eu sei que a senhora há de concordar que a dor que mais dói é aquela que a gente sente. E essa que eu estou sentindo tá me doendo e me deixando fraca, sem vontade e perspectiva de algo novo. Só uma vontade de estar ai junto de você. Então vozinha, aí de onde estiver cuida de mim, que eu vou tentar encontrar aquela menina chorona que só se acalmava no seu colo, e vou fazer de tudo pra que ela continue sendo seu maior orgulho.

sábado, 12 de janeiro de 2013

M.

Porque você faz isso comigo? Você não percebe que agindo assim tá me fazendo sofrer? Ou você faz porque sabe que eu sempre aceito qualquer coisa que venha de você?

P.



Tenho tanto medo de você desistir de mim, porque eu sei que depois de tantos nãos, mesmo que simbólicos, você tem todo o direito de parar de se preocupar, parar de me procurar, de tentar, mas eu não quero isso, não mesmo. Te amo tanto, tanto, só não consigo me aproximar. M.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Eu perdi minha carteira de identidade. Perdei meu anel de caveira. Perdi meus cachos. Perdi minhas unhas compridas. Perdi meus amores. Perdi minha castidade. Perdi a consciência. Perdi a paciência. Perdi minhas cervejas. Perdi a vontade. Perdi a fé. Perdi dignidade. Perdi amigos. Perdi a religião. Perdi oportunidades. Perdi sorrisos. Perdi dinheiro. Perdi festas. Perdi viagens. Perdi um livro. Perdi sonhos. Perdi crenças. Perdi ilusões. Ganhei aquilo que nem sabia que existia mais, esperança.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tentativas

Me falaram que eu fujo da felicidade, que sempre percorro o mesmo ciclo, encontro algo ou alguém que me deixa bem, que me faz feliz e logo logo dou um jeitinho de me auto sabotar e sair sem aproveitar tudo que deveria ser aproveitado. Pensei muito nisso, foi tema de várias sessões de analise, vários socos no estômago até concluir que faço isso tudo por medo. Medo de gostar e me entregar genuinamente a alguém ou a algo e não ser correspondida, medo de dar o melhor de mim e sair machucada no final, medo de perder o controle tão almejado por mim, receio de ir e não saber voltar.

Mas há algum tempo isso vem me cansando, o sentimento de inercia tá me enjoando e o enjoo tá quase vencendo o medo. Eu hoje acordei querendo mais, querendo emoção, querendo o novo, quero borboletas no estomago, quero sorrisos bobos. Mais do que querer eu preciso. Eu preciso sair do chão, eu preciso de alguém que me tire do chão.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Para a menina com uma flor

Eu hoje sonhei com você, acordei no meio da noite e pedi ao Deus da Pedra Rosa que fortaleça suas esperanças, que ele lhe traga muitas bênçãos em forma de conquistas, várias, inúmeras, coisas bonitas. Pedi a ele muitos sorrisos pra você, um bocado de alegria e muitos sentimentos inteiros e intensos. E que você apareça mais vezes nos meus sonhos, pois é o único lugar que ainda lhe tenho.


Um abraço do tamanho da minha saudade, bem apertado. M.