100 dias de gratidão

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sem saber amar não adianta amar profundamente

Depois de quatro anos juntos tem dois meses que não te vejo. Dois meses sem ouvir sua voz, sem sentir seu cheiro. Amigos me contam de você. Sei que está contente com o trabalho e que cortou o cabelo. Mas não sei o que você tem sentido, o que você almoçou e o que vai fazer nas férias. Sinto sua falta o tempo todo, em cada detalhe do meu dia falta você. Queria saber quando nos perdemos. Quando viramos monstros. Nossa insatisfação aparecendo de forma absurda, sendo expressa fisicamente, nos matando emocionalmente, tudo numa tentativa frustrada de nos fazer ouvir. - Nos fazer ouvir- engraçado isso né, nos aproximamos justamente pela nossa escuta, pelas nossas conversar. Agora já não conseguimos mais nos falar por cinco minutos sem nos chocar. Parece que não somos mais compatíveis. Eu gritava por carinho você ouvir que eu precisava de socos. Você me contava todos os dias sobre a sua falta de liberdade, sua vontade de conhecer o mundo e eu entendia outra coisa, ia diminuindo ainda mais seu espaço. Um dia veio o primeiro tapa, depois o arrependimento e a desculpa. A humilhação veio, trouxe o choro, o dormir no sofá. Reconciliação, sorrisos, ciúmes, empurrão, grito. Não veio mais nada. Tudo se foi. Ficou um amor doentio e um não aguentar mais. Tenho certeza que entramos nessa relação para sermos felizes. E fomos. Mas algo aconteceu e isso foi se perdendo pelo caminho. Fomos nos perdendo. Nunca tive a intenção de te machucar e acredito que você também não tenha tido, mas nos machucamos muito. Nos tornamos nossos demônios, despertando os nossos piores lados. Dois meses atrás alguém gritou chega. Não tínhamos mais recursos pra suportar isso. E acho que hoje ainda não temos. Mas tenho amor, por isso te escrevo.

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