100 dias de gratidão

domingo, 20 de outubro de 2013

Ainda tem muito de você em mim







Ela dizia que se chamava Lucia, se é verdade nunca vou saber.

Lembro a primeira vez que a vi. Nos corredores da faculdade de humanas, com um livro grosso nas mãos e um sorriso enorme no rosto. Me encantei, claro.

Fui aproximando aos poucos. Descobri que Lucia tinha voz doce, olhos escuros e uma personalidade forte. Estudava literatura, escrevia poemas, era apaixonada por margaridas e não seguia regras.

Não me lembro exatamente como se deu, sei que um dia trocamos um sorriso, em outro alguém empresta uma caneta, depois já estamos nos apertando na mesma cama. Até que chegou uma hora em que éramos praticamente inseparáveis, passávamos as manhãs discutindo arte e tomando café forte. Nas tardes sonhávamos planos de futuro deitados nos gramados da universidade e as noites deixávamos para as musicas e as sacanagens em seu apartamento.

Falando em apartamento. Sempre que ouço falar em rua das margaridas, numero 375, só vem Lucia, amor, felicidade. Foi nesse lugar que vivemos os melhores (e piores) momentos. Aquele lugar pequeno, mas tão marcante, parecia uma ilha de possibilidades no meio dessa cidade feia. Com cores forte, muitos livros, cheiro de cigarro e cama desarrumada. Era a própria Lucia em forma de lar.

Lucia era uma menina-mulher, uma confusão em forma de pessoa. Mas pra mim foi mais, bem mais. Foi professora, me ensinou quebrar tabus de nudez, sexo, bebidas, loucuras, amor. Lucia me ensinou a amar.

Brincava que Lucia era um tsunami emocional, uma paixão que te arrebata por dentro. Um verdadeiro furacão, e como todo furacão ela veio bagunçou tudo, mudou minha vida para sempre e passou.

Amo Lucia por tudo que vivemos, por tudo que não vivemos, por todas as suas loucuras, por todas as suas falhas, por ter sumido e me deixado aqui totalmente desintegrado. Amo Lucia por ter me feito levantar na marra e me reconstruir. Amo Lucia pelos nossos mil planos de vida e por tudo que ela vai viver longe de mim.

Sei que hoje ela sobrevive em algum canto do universo, o que já é o bastante para me manter aqui, são, sabendo que ela existe do outro lado, oposta, complementar, mas ao mesmo tempo tão diferente, tão ela, só ela. Alguém para se amar e jamais esquecer, porque essa é a Lucia de ser.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

C.

Vai fazer um ano que lhe devo noticias ou ao menos um sinal de vida, que seja. Mas não consegui, eu precisava desse tempo para digerir sua falta.

Aconteceu tanto coisa nesses meses, vivi tanta história que eu queria falar só com você e com mais ninguém. Tenho saudades.

Eu sinto muito pela forma que eu agia com você durante o tempo em que estivemos próximas, fui ingrata, não conseguia reconhecer sua importância. Mas eu sei que você sabe que isso tudo era só uma defesa minha, sei que você sabe o quanto valorizo tudo aquilo. Hoje eu sei que se estou conseguindo andar, mesmo que a passos lentos e cambaleantes, foi porque quando mais precisei você me ajudou a levantar, depois foi minha muleta até que eu conseguisse enxergar que eu tinha meus próprios pés para me sustentar.

Mudei muito nesse tempo e talvez por isso esteja te escrevendo hoje. Você sabe desse lugar aqui onde deixo bilhetes perdidos, gostaria de verdade que você lesse este. Gostaria que você soubesse que estou bem e que ouvisse de mim o meu muito obrigada.

Ainda quero te encontrar por ai, te dar um abraço, quem sabe. Mas não hoje, nem amanhã, um dia talvez.

C, te agradeço muito, por tudo.

Marina

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

B.


você acredita quando digo que você trouxe cores?