Ela
dizia que se chamava Lucia, se é verdade nunca vou saber.
Lembro
a primeira vez que a vi. Nos corredores da faculdade de humanas, com um livro
grosso nas mãos e um sorriso enorme no rosto. Me encantei, claro.
Fui
aproximando aos poucos. Descobri que Lucia tinha voz doce, olhos escuros e uma
personalidade forte. Estudava literatura, escrevia poemas, era apaixonada por
margaridas e não seguia regras.
Não
me lembro exatamente como se deu, sei que um dia trocamos um sorriso, em outro alguém
empresta uma caneta, depois já estamos nos apertando na mesma cama. Até que
chegou uma hora em que éramos praticamente inseparáveis, passávamos as manhãs
discutindo arte e tomando café forte. Nas tardes sonhávamos planos de futuro deitados
nos gramados da universidade e as noites deixávamos para as musicas e as sacanagens
em seu apartamento.
Falando
em apartamento. Sempre que ouço falar em rua das margaridas, numero 375, só vem
Lucia, amor, felicidade. Foi nesse lugar que vivemos os melhores (e piores)
momentos. Aquele lugar pequeno, mas tão marcante, parecia uma ilha de
possibilidades no meio dessa cidade feia. Com cores forte, muitos livros,
cheiro de cigarro e cama desarrumada. Era a própria Lucia em forma de lar.
Lucia era uma menina-mulher, uma confusão em forma de pessoa. Mas pra mim foi mais, bem mais. Foi professora, me ensinou quebrar tabus de nudez, sexo, bebidas, loucuras, amor. Lucia me ensinou a amar.
Brincava
que Lucia era um tsunami emocional, uma paixão que te arrebata por dentro. Um
verdadeiro furacão, e como todo furacão ela veio bagunçou tudo, mudou minha
vida para sempre e passou.
Amo
Lucia por tudo que vivemos, por tudo que não vivemos, por todas as suas
loucuras, por todas as suas falhas, por ter sumido e me deixado aqui totalmente
desintegrado. Amo Lucia por ter me feito levantar na marra e me reconstruir. Amo
Lucia pelos nossos mil planos de vida e por tudo que ela vai viver longe de
mim.
