100 dias de gratidão

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

cansada de viver catando migalhas de afeto.

O que será que será da vida, da morte, dos amores

Então que chegamos à última segunda-feira do mês e das férias. Há uma chuva fina, um frio leve e uma preguiça grande. Há também uma necessidade de escrever, de botar no papel todos esses pensamentos desorganizados que tanto incomodaram nesse mês em que estive totalmente à flor da pele. Entrei em crise, chorei, ri descontroladamente por puro nervosismo, me tranquei, me escondi, me entupi de remédios, fiquei afetada e falei mais que deveria.

Me vi completamente perdida e, para minha surpresa, me acharam. Me ajudaram. Me amaram. É sempre bom saber que tem algumas pessoas que nos gostam e nos querem bem. Mas muitas das vezes eu não sei lidar com isso. Tenho medo.

Há uma frase de um filme que fala que “nós aceitamos o amor que achamos que merecemos”. E isso resume todo esse mês de janeiro, os últimos anos e, porque não, a minha vida. Sempre amores errados, amores pobres. E quando digo amores estou dizendo de todos os tipos, amizade, família, parceiros.

O problema sempre foi mais embaixo, a não aceitação do outro é origem da minha própria não aceitação. O jeito torto de me gostarem e reflexo da imagem que passo de mim mesma. Eu ainda não consigo acreditar que alguém seja realmente capaz de gostar de mim assim, desse jeito, de graça. Isso vem constituído na minha personalidade, é preciso mudar, mas é doloroso, demorado e por vezes é até tentador permanecer na inercia.

Mas ai só pra mostrar que janeiro veio pra marcar, bem no finalzinho acontece uma tragédia, um incêndio numa boate que deixa mais de 230 mortos. Jovens, universitários, apaixonados, bêbados, amigos. Assim como eu e como os meus. E eu só consigo pensar em como permanecer na inercia depois de uma fatalidade dessas. Como continuar rejeitando amor, como continuar me matando por dentro, me machucando por fora com essa triste noticia, com a realidade de que podia ser eu ali morrendo ou vendo os meus amores morrer.


É estranho pensar que às vezes é necessário a presença da morte pra cogitar mudar a vida

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Vozinha querida, tenho sentido tanto a sua falta nesses últimos dias. Falta de alguém que me dê colo e enquanto acaricia meus cabelos fale que tem orgulho de mim, mais do que de todos os outros (apesar de que hoje eu sei que a senhora falava isso para todos os netos, mas na época eu realmente acreditava que era eu quem mais lhe orgulhava). E a senhora partiu tão cedo, nem me viu crescer, né vó. Não me viu tornar  uma mulher. Acho que se hoje a senhora estivesse aqui não se orgulharia muito dos rumos que eu fui tomando, sabe vó, eu me perdi nesse meio tempo em que a senhora se foi, eu me perdi de mim, dos meus pais e até de deus. Sei que a senhora iria ficar muito triste de saber disso, mas eu não soube cuidar das rédeas e quando vi já estava assim, essa desordem irritante e sofrida. Como se fosse um dos seus novelos de linha que embolaram e não dá pra achar a ponta e organizar tudo. E eu, vozinha, nessa procura pela ponta tenho me feito muito mal, por dentro e por fora. A senhora sempre falava que eu era a mais desgarrada, que iria embora conquistar o meu, e cá estou eu, vó, prestes a fazer 20 anos sem ter coragem suficiente pra ir buscar o que é meu. Na verdade eu tenho muito medo, medo de fracassar ainda mais, medo de ir, dar à cara a tapa, não conseguir e ter que voltar pra um lugar que não me pertence mais. Se bem que pra ser sincera eu nem sei se já pertenci a esse lugar. Não posso negar que já fui, e sou, muito amada aqui, mas não há a necessidade da minha presença. Acho que é isso que eu sempre busquei vó, um lugar onde eu seja tão importante ao ponto de sentirem minha falta caso eu me ausente. Aqui não existe isso, não mais, eu me ausentei tanto que hoje não faz mais diferença.


Há mais ou menos um ano atrás eu lhe escrevi desesperada, pedindo que rezasse por nós, pela minha mãe e pelo vô. Acho que a senhora mandou suas melhores vibrações, porque hoje eles estão muito bem, meu avô sarou e minha mãe nunca mais teve nenhuma recaída, tá até feliz de novo. Agora, um ano depois, vou ser mais egoísta. Peço que mande sua melhor energia pra mim, vó. Tenho estado muito cansada. Muito desacreditada do mundo. Tudo tem estado tão mecânico, tão sem sentimento. Acordo já pensando na hora de dormir, e assim, se vai a semana, o mês, o ano. Eu me lembro da senhora doente, prestes a fazer sua ultima cirurgia, sentindo muita falta de ar, num desconforto tremendo, mas continuava lá com aquele sorrisão na cara, dançando e alegrando a nossa casa. Mas eu infelizmente não herdei isso da senhora. Minhas heranças são todas do meu avô. Ele que sempre fala que chega uma hora da vida que viver fica insuportável. Eu, com muita vergonha, assumo que vez ou outra tenho sentindo isso ai. E sinto vergonha porque o meu sofrimento é fútil, é ridículo perto de tantos os outros. Mas eu sei que a senhora há de concordar que a dor que mais dói é aquela que a gente sente. E essa que eu estou sentindo tá me doendo e me deixando fraca, sem vontade e perspectiva de algo novo. Só uma vontade de estar ai junto de você. Então vozinha, aí de onde estiver cuida de mim, que eu vou tentar encontrar aquela menina chorona que só se acalmava no seu colo, e vou fazer de tudo pra que ela continue sendo seu maior orgulho.

sábado, 12 de janeiro de 2013

M.

Porque você faz isso comigo? Você não percebe que agindo assim tá me fazendo sofrer? Ou você faz porque sabe que eu sempre aceito qualquer coisa que venha de você?

P.



Tenho tanto medo de você desistir de mim, porque eu sei que depois de tantos nãos, mesmo que simbólicos, você tem todo o direito de parar de se preocupar, parar de me procurar, de tentar, mas eu não quero isso, não mesmo. Te amo tanto, tanto, só não consigo me aproximar. M.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Eu perdi minha carteira de identidade. Perdei meu anel de caveira. Perdi meus cachos. Perdi minhas unhas compridas. Perdi meus amores. Perdi minha castidade. Perdi a consciência. Perdi a paciência. Perdi minhas cervejas. Perdi a vontade. Perdi a fé. Perdi dignidade. Perdi amigos. Perdi a religião. Perdi oportunidades. Perdi sorrisos. Perdi dinheiro. Perdi festas. Perdi viagens. Perdi um livro. Perdi sonhos. Perdi crenças. Perdi ilusões. Ganhei aquilo que nem sabia que existia mais, esperança.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tentativas

Me falaram que eu fujo da felicidade, que sempre percorro o mesmo ciclo, encontro algo ou alguém que me deixa bem, que me faz feliz e logo logo dou um jeitinho de me auto sabotar e sair sem aproveitar tudo que deveria ser aproveitado. Pensei muito nisso, foi tema de várias sessões de analise, vários socos no estômago até concluir que faço isso tudo por medo. Medo de gostar e me entregar genuinamente a alguém ou a algo e não ser correspondida, medo de dar o melhor de mim e sair machucada no final, medo de perder o controle tão almejado por mim, receio de ir e não saber voltar.

Mas há algum tempo isso vem me cansando, o sentimento de inercia tá me enjoando e o enjoo tá quase vencendo o medo. Eu hoje acordei querendo mais, querendo emoção, querendo o novo, quero borboletas no estomago, quero sorrisos bobos. Mais do que querer eu preciso. Eu preciso sair do chão, eu preciso de alguém que me tire do chão.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Para a menina com uma flor

Eu hoje sonhei com você, acordei no meio da noite e pedi ao Deus da Pedra Rosa que fortaleça suas esperanças, que ele lhe traga muitas bênçãos em forma de conquistas, várias, inúmeras, coisas bonitas. Pedi a ele muitos sorrisos pra você, um bocado de alegria e muitos sentimentos inteiros e intensos. E que você apareça mais vezes nos meus sonhos, pois é o único lugar que ainda lhe tenho.


Um abraço do tamanho da minha saudade, bem apertado. M.