Então que chegamos à última
segunda-feira do mês e das férias. Há uma chuva fina, um frio leve e uma
preguiça grande. Há também uma necessidade de escrever, de botar no papel todos
esses pensamentos desorganizados que tanto incomodaram nesse mês em que estive
totalmente à flor da pele. Entrei em crise, chorei, ri descontroladamente por
puro nervosismo, me tranquei, me escondi, me entupi de remédios, fiquei afetada
e falei mais que deveria.
Me vi completamente perdida e,
para minha surpresa, me acharam. Me ajudaram. Me amaram. É sempre bom saber que
tem algumas pessoas que nos gostam e nos querem bem. Mas muitas das vezes eu
não sei lidar com isso. Tenho medo.
Há uma frase de um filme que fala
que “nós aceitamos o amor que achamos que merecemos”. E isso resume todo esse
mês de janeiro, os últimos anos e, porque não, a minha vida. Sempre amores
errados, amores pobres. E quando digo amores estou dizendo de todos os tipos,
amizade, família, parceiros.
O problema sempre foi mais
embaixo, a não aceitação do outro é origem da minha própria não aceitação. O
jeito torto de me gostarem e reflexo da imagem que passo de mim mesma. Eu ainda
não consigo acreditar que alguém seja realmente capaz de gostar de mim assim,
desse jeito, de graça. Isso vem constituído na minha personalidade, é preciso
mudar, mas é doloroso, demorado e por vezes é até tentador permanecer na
inercia.
Mas ai só pra mostrar que janeiro
veio pra marcar, bem no finalzinho acontece uma tragédia, um incêndio numa
boate que deixa mais de 230 mortos. Jovens, universitários, apaixonados,
bêbados, amigos. Assim como eu e como os meus. E eu só consigo pensar em como
permanecer na inercia depois de uma fatalidade dessas. Como continuar
rejeitando amor, como continuar me matando por dentro, me machucando por fora
com essa triste noticia, com a realidade de que podia ser eu ali morrendo ou
vendo os meus amores morrer.
É estranho pensar que às vezes é
necessário a presença da morte pra cogitar mudar a vida
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