100 dias de gratidão

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

das coisas nem tão bonitas da vida

Ainda é sobre a porta fechada, a bagunça do cachorro, as compras do mês. Nunca é sobre a gente. Ta faltando sonhos divididos entre nós dois. Não sei dos seus planos, só das suas burocracias cotidianas. Nós moramos na mesma casa, dividimos a mesma cama e ainda assim estamos léguas de distância.

Outro dia percebi que perdemos a delicadeza, não esperamos mais pelo outro, não importa se um se desembrulhou durante a noite ou se o outro saiu sem casaco, já somos bem grandinhos para nos cuidarmos.  

Eu estive tão segura do seu amor que não me preocupei mais em te encantar, sinto que por muitas vezes você não me deseja mais. Viramos amigos, os melhores amigos. Isso não me basta. Eu preciso ser olhada, preciso sentir que alguém espera por mim, preciso sentir vontade de esperar alguém.

Quero não só dividir as contas, mas voltar a dividir o almoço, o cigarro, o banho. Sinto falta de alguém que esfregue minhas costas, que diga que me ama tanto que não basta estar ao meu lado, tem que estar dentro de mim. Sinto falta da gente.


Sei que você está cansado das minhas extensas palavras, cansado do meu drama. Mas eu estou cansada do seu silêncio. Cansei de ter que adivinhar suas respostas. Precisamos voltar a falar a mesma língua ou nos mudarmos, cada qual para o seu mundo, de uma vez. Não quero interpretes, nem dicionários. Quero te ler, te ouvir, te sentir inteiro. Ou nada. 

Para Pedro.

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