100 dias de gratidão

domingo, 14 de outubro de 2012

crônica do amor que já se foi

De: C.
Para: A.

My dear,

tenho sofrido tanto com essa sua visão sobre as coisas, minha menina sempre tão geniosa e incisiva nas suas colocações.

Preciso frisar mais uma vez que sim, você me fez muito feliz, que você me mostrou a luz quando estava tudo escuro, mais que isso, você trouxe cores. Você fala sobre eu ter cansado de ensinar, quando na verdade foi eu quem tanto aprendi contigo. Tá certo que sou bem mais velho, tenho mais vivencias, no entanto você me desarmou completamente, na sua frente eu era apenas um adolescente recém saído da puberdade tendo que descobrir o que fazer com uma porrada de sentimentos controversos. Tive que reaprender, pois você se mostrou diferente de todas as outras, e foi exatamente isso que me fez te amar. Tudo que eu sabia e tentava com você não dava certo, demorou até descobrir o seu segredo, nesse dia mesmo que você diz ter se apaixonado eu estava nervosíssimo sem saber o que fazer pra te ganhar, havia uma necessidade palpante de te ter, faria qualquer coisa que me pedisse. Eu já estava apaixonado. Daí por muito tempo foi alegrias, tinha o maior prazer em ver seu rosto interessado quando eu lhe contava minhas historias, morria de amores quando você aparecia de surpresa com esse jeito façanho de menina, sem contar no êxtase que era o nosso sexo. Fomos felizes. Mas concordo com você, nos perdemos pelo caminho, não sei quando e nem o porquê, acho que foi gradativo e quando nos demos conta era irreversível, já tínhamos nos machucado muito. Até concordo com você que hoje juntos somos dor, mas tenho que ressaltar que separados também é dor. Dor por não saber como você está, dor ao discar impulsivamente o seu numero mas desligar sem completar a chamada. Dor ao ir ao mercado e ver o brócolis tão verdinho, pronto pro seu prato preferido e não ter porque comprar. Dor em saber de você por outros. Dor. Mas não sei o que podemos fazer quanto a isso, é me machucando que acredito que você precisa viver outras experiências, conhecer outros gostos pra depois decidir o seu preferido. E ai quem sabe, minha menina, possamos viver em uma casinha colorida de Amsterdã, ouvindo Pink Floyd, bebendo vinho e fumando nosso cigarro enquanto eu cozinho pra gente. Quem sabe…

Com todo carinho e amor de sempre,


C.

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