Para: A.
My dear,
tenho sofrido tanto com essa sua
visão sobre as coisas, minha menina sempre tão geniosa e incisiva nas suas
colocações.
Preciso frisar mais uma vez que
sim, você me fez muito feliz, que você me mostrou a luz quando estava tudo
escuro, mais que isso, você trouxe cores. Você fala sobre eu ter cansado de
ensinar, quando na verdade foi eu quem tanto aprendi contigo. Tá certo que sou
bem mais velho, tenho mais vivencias, no entanto você me desarmou
completamente, na sua frente eu era apenas um adolescente recém saído da
puberdade tendo que descobrir o que fazer com uma porrada de sentimentos
controversos. Tive que reaprender, pois você se mostrou diferente de todas as
outras, e foi exatamente isso que me fez te amar. Tudo que eu sabia e tentava
com você não dava certo, demorou até descobrir o seu segredo, nesse dia mesmo
que você diz ter se apaixonado eu estava nervosíssimo sem saber o que fazer pra
te ganhar, havia uma necessidade palpante de te ter, faria qualquer coisa que
me pedisse. Eu já estava apaixonado. Daí por muito tempo foi alegrias, tinha o
maior prazer em ver seu rosto interessado quando eu lhe contava minhas
historias, morria de amores quando você aparecia de surpresa com esse jeito
façanho de menina, sem contar no êxtase que era o nosso sexo. Fomos felizes.
Mas concordo com você, nos perdemos pelo caminho, não sei quando e nem o
porquê, acho que foi gradativo e quando nos demos conta era irreversível, já
tínhamos nos machucado muito. Até concordo com você que hoje juntos somos dor,
mas tenho que ressaltar que separados também é dor. Dor por não saber como você
está, dor ao discar impulsivamente o seu numero mas desligar sem completar a
chamada. Dor ao ir ao mercado e ver o brócolis tão verdinho, pronto pro seu
prato preferido e não ter porque comprar. Dor em saber de você por outros. Dor.
Mas não sei o que podemos fazer quanto a isso, é me machucando que acredito que
você precisa viver outras experiências, conhecer outros gostos pra depois
decidir o seu preferido. E ai quem sabe, minha menina, possamos viver em uma
casinha colorida de Amsterdã, ouvindo Pink Floyd, bebendo vinho e fumando nosso
cigarro enquanto eu cozinho pra gente. Quem sabe…
Com todo carinho e amor de
sempre,
C.
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