100 dias de gratidão

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cá estou ilhada na bagunça do meu quarto, depois de cinco anos resolvi mudar tudo, isso aqui já não me cabia mais. E entre uma parede pintada, um armário esvaziado, uma cama fora do lugar encontrei tanta coisa que eu não me lembrava, coisas que não precisavam ser vistas e coisas que me deixou com muita saudade. É engraçado pensar o rumo que tudo tomou. Confesso que foi indiferente encontrar uma foto do que a gente pode chamar de primeiro amor, é estranho ver depois de tanto tempo uma pessoa que foi tão importante, causadora de inúmeros sentimentos bons e outros nem tão bons e nada sentir. Nada; Numa carteira velha encontrei um cartão de aniversário do ano de 2002 do meu paizinho me desejando felicidades porque amor eu já tinha muito. Foi feliz ler isso, é muito bom me lembrar que posso carecer de qualquer coisas, mas amor eu sempre vou ter, e muito; Foi no mínimo desconfortável encontrar um cd de fotos de 2008 e ver que aquelas pessoas que me fizeram tão felizes hoje não significam nada pra mim. Na ultima gaveta da estante, aquela mais escondida, encontrei uma carta de amor que deveria ter sido entregue mas que por algum motivo não foi. Senti vergonha da forma apaixonada e exagerada com que eu me declarava, botando aquilo, que hoje acredito que nem era amor, acima de qualquer coisa. Agradeci mentalmente nunca tê-la entregue. E encontrar aquela blusa de frio branca que tantas vezes foi emprestada para uma pessoa muito querida foi bom. Foi gostoso me lembrar daquele tempo, daquela alegria gratuita e amor displicente que vivíamos. Deu saudades, mas não vontade de voltar.
É interessante ver que tudo passa, que coisas que já significaram muito hoje não passam de recordações velhas. Que outras que foram muito importantes continuam sendo e sempre serão, mesmo que seja só na lembrança. É interessante ver o quanto mudei nesses cinco anos. E como isso é refletido aqui, nesse pequeno quarto que foi palco de toda essa história.



Also: depois de ter escrito esse texto breguinha encontrei aquela velha borboleta do meu mural e pude perceber o óbvio: não sou mais a mesma, mas ainda sou e sempre serei a mesma.

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