Cá estou ilhada na bagunça do meu
quarto, depois de cinco anos resolvi mudar tudo, isso aqui já não me cabia
mais. E entre uma parede pintada, um armário esvaziado, uma cama fora do lugar
encontrei tanta coisa que eu não me lembrava, coisas que não precisavam ser
vistas e coisas que me deixou com muita saudade. É engraçado pensar o rumo que
tudo tomou. Confesso que foi indiferente encontrar uma foto do que a gente pode
chamar de primeiro amor, é estranho ver depois de tanto tempo uma pessoa que
foi tão importante, causadora de inúmeros sentimentos bons e outros nem tão
bons e nada sentir. Nada; Numa carteira velha encontrei um cartão de
aniversário do ano de 2002 do meu paizinho me desejando felicidades porque amor
eu já tinha muito. Foi feliz ler isso, é muito bom me lembrar que posso carecer
de qualquer coisas, mas amor eu sempre vou ter, e muito; Foi no mínimo
desconfortável encontrar um cd de fotos de 2008 e ver que aquelas pessoas que
me fizeram tão felizes hoje não significam nada pra mim. Na ultima gaveta da
estante, aquela mais escondida, encontrei uma carta de amor que deveria ter
sido entregue mas que por algum motivo não foi. Senti vergonha da forma
apaixonada e exagerada com que eu me declarava, botando aquilo, que hoje
acredito que nem era amor, acima de qualquer coisa. Agradeci mentalmente nunca
tê-la entregue. E encontrar aquela blusa de frio branca que tantas vezes foi
emprestada para uma pessoa muito querida foi bom. Foi gostoso me lembrar
daquele tempo, daquela alegria gratuita e amor displicente que vivíamos. Deu
saudades, mas não vontade de voltar.
É interessante ver que tudo
passa, que coisas que já significaram muito hoje não passam de recordações
velhas. Que outras que foram muito importantes continuam sendo e sempre serão,
mesmo que seja só na lembrança. É interessante ver o quanto mudei nesses cinco
anos. E como isso é refletido aqui, nesse pequeno quarto que foi palco de toda
essa história.
Also: depois de ter escrito esse
texto breguinha encontrei aquela velha borboleta do meu mural e pude perceber o
óbvio: não sou mais a mesma, mas ainda sou e sempre serei a mesma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário