É meio louco e agonizante pensar
no tempo. Tempo esse que passa e a gente muda, a gente muda enquanto o tempo
passa.
Ele é estranho quando penso que
já passei metade da minha faculdade, que no final de dois anos eu já terei
encerrado essa etapa tão importante da minha vida. É incerto se penso no que
virá depois, são tantos planos, tantos desejos, tanta esperança de um futuro
bom, mas há o medo de fracassar, de mais uma vez não ter coragem de fazer o que
eu quero.
O tempo pode ser injusto quando
resolve brincar com os casais apaixonados, quando, com o seu passar, leva esses
casaizinhos que outrora trocavam intimidades e juras de amor a tornarem-se
simplesmente dois estranhos. Mas também é compreensível naqueles momentos em
que com muito afinco algumas coisas foram negadas.
Ele pode ser muito confortante
quando penso na forma em que coloca as coisas no lugar, como naquele velho
ditado “o tempo é o melhor remédio, cura tudo”. E ele, em sua forma, cumpriu
isso direitinho, colocou tudo em um lugarzinho apropriado. Em contrapartida, o
tempo é maquiavélico nos levando a esquecer de coisas que deveriam ser
inesquecíveis. Me fez esquecer o barulho gostoso da gargalhada da minha avó, o
cheiro bom de um perfume que foi importante, esquecer dos meus desejos e
esquecer o quanto era gostoso aquele abraço.
É muito egoísta, parece que por
graça demooora a passar quando esperamos por alguém que há muito não
encontramos e quando, enfim, estamos com a tal pessoa passa ligeiro ligeiro,
brincando com a gente.
E, por fim, ele é um lindo quando
me permite usar uma semana inteirinha, 168 horas, só pra mim, sem ter que
encontrar ninguém que eu não tenho vontade, sem ter que dar satisfações, sem
ter que me preocupar em correr pra não perder o ônibus, sem ter que fazer nada,
apenas poder ficar o dia todo pensando na vida, nos planos, no tempo.
[ao som de O Tempo – Moveis
Coloniais de Acaju]
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