100 dias de gratidão

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sobre o tempo e suas caras

É meio louco e agonizante pensar no tempo. Tempo esse que passa e a gente muda, a gente muda enquanto o tempo passa.

Ele é estranho quando penso que já passei metade da minha faculdade, que no final de dois anos eu já terei encerrado essa etapa tão importante da minha vida. É incerto se penso no que virá depois, são tantos planos, tantos desejos, tanta esperança de um futuro bom, mas há o medo de fracassar, de mais uma vez não ter coragem de fazer o que eu quero.

O tempo pode ser injusto quando resolve brincar com os casais apaixonados, quando, com o seu passar, leva esses casaizinhos que outrora trocavam intimidades e juras de amor a tornarem-se simplesmente dois estranhos. Mas também é compreensível naqueles momentos em que com muito afinco algumas coisas foram negadas.

Ele pode ser muito confortante quando penso na forma em que coloca as coisas no lugar, como naquele velho ditado “o tempo é o melhor remédio, cura tudo”. E ele, em sua forma, cumpriu isso direitinho, colocou tudo em um lugarzinho apropriado. Em contrapartida, o tempo é maquiavélico nos levando a esquecer de coisas que deveriam ser inesquecíveis. Me fez esquecer o barulho gostoso da gargalhada da minha avó, o cheiro bom de um perfume que foi importante, esquecer dos meus desejos e esquecer o quanto era gostoso aquele abraço.

É muito egoísta, parece que por graça demooora a passar quando esperamos por alguém que há muito não encontramos e quando, enfim, estamos com a tal pessoa passa ligeiro ligeiro, brincando com a gente.

E, por fim, ele é um lindo quando me permite usar uma semana inteirinha, 168 horas, só pra mim, sem ter que encontrar ninguém que eu não tenho vontade, sem ter que dar satisfações, sem ter que me preocupar em correr pra não perder o ônibus, sem ter que fazer nada, apenas poder ficar o dia todo pensando na vida, nos planos, no tempo.


[ao som de O Tempo – Moveis Coloniais de Acaju]

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