Na parede do meu quarto tem
escrito em letras garrafais “Tudo que eu tenho/ Tudo que eu sou” e em volta
fotos de amigos, família, artistas, ídolos, letras de musicas, poemas, imagens
bonitas. E por serem coladas com fita crepe elas teimam em cair sempre, e eu,
mais que depressa, as colocava no lugar pra que não ficasse nenhum furo na
parede. Mas acontece que há algum tempo elas têm caído e continuado no chão, ou
em alguma gaveta perdida das muitas que minha estante comporta. Fui pensar
sobre isso, e cheguei a conclusão de que aquilo não mais tem dito muito de mim.
Fiquei com medo, pois se aquelas pessoas eram “tudo que eu tinha” e eu não as
reconheço mais, não temos mais sintonia, mal nos cumprimentamos então o que eu
tenho agora? Se todas as gravuras, todos os poemas, todas as músicas eram “tudo
que eu sou” e eu não me importo deles estarem caídos ou escondidos em alguma
gaveta, o que agora eu sou? Não sei. Com raras exceções que ainda têm seu lugar
no mural, raras musicas que ainda têm seu lugar nos meus fones, raras pessoas
que ainda têm seu lugar no meu coração, eu não sei mais o que eu tenho e o que
eu sou. Só sei que aquilo não é mais. Uma única frase continua fazendo total
sentido: “Como é a vida longe de quem nos faz viver?”, antes eu acreditava que
todas aquelas carinhas me faziam viver, mas elas foram indo e eu fui
sobrevivendo sem elas, mostrando que não, que aquelas pessoas poderiam até deixar
as coisas mais leves, mas não me faziam viver, posso garantir que as poucas mas
verdadeira pessoas que em fazem viver continuam no mural e no meu coração, e de
lá não vão sair, pois eu não sei se sobreviveria sem elas. Depois de algumas
reflexões pensei em tentar buscar aquela Marina que dava tanta importância
aquelas carinhas felizes pregadas, que levava a vida com base naquelas sete
letras em negrito que tinham um lugar de destaque e juntas formavam a palavra:
“Believe”. Mas não adianta. Essa Marina de hoje não mais acredita. Ou melhor,
não mais acredita naquelas coisas. Acho que preciso de uma [de]coração nova,
sugestões?
“depois de um tempo aprendemos a conviver com
uns e a sobreviver com outros” triste, né?
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