Querido Felipe,
Tenho pensado tanto em você nesses últimos dias, já faz
quase três meses e ainda sinto sua falta constantemente. Penso sempre no nosso
último encontro, você foi gentil comigo. E distante. Me deu apoio, não ombro.
Sei que não posso exigir isso de você, mas é que depois de tantos anos eu me
acostumei com outro Felipe.
Eu sei, eu sei, você deve ta pensando: “você que escolheu
isso, agora aceita”. Só queria que você entendesse o meu lado, não estávamos
nos fazendo bem, é triste, mas é a verdade. Fomos nos perdendo um do outro e
isso foi necessário para que não nos perdêssemos de nós mesmos. Sei também que
você viu essa minha viagem como um sinal de franqueza, e de certa forma foi
mesmo, precisava fugir de todo esse caos [o que foi em vão]. Mas se você quiser
isso a gente conversa quando eu voltar.
Por agora quero muito saber de você, quero saber como vai no
trabalho, como vai a família [ainda anda brigando muito com seu pai?], e o
nosso Tico? Preciso saber que você tá bem para que eu possa aquietar meu
coração.
Quanto a mim, estou aqui andando pelo mundo, chorando ao
telefone, prestando muita atenção, divertindo gente e sentido falta de tudo e
todos. Há dias acordo e não tem ninguém ao meu lado – os meus amigo e amores,
cadê - vou à Berlim e à Praga e depois volto ao Brasil para recuperar o que eu
perdi.
Te mando retalhos de amor
Carol.
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