100 dias de gratidão

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

formigas

As quatro paredes. Do meu quarto, me espremendo e me limitando e diminuindo, indo… As quatro paredes da minha mente, fazendo com que eu me sinta presa dentro de mim mesma, parece que todas as minhas perspectivas estão desgastadas e falhas; as quatro paredes dos lugares em que vou, sempre os mesmos, sempre monocromáticos, todos os rostos se misturando. Estou me transformando numa formiga, sabe? Junto com outras formigas. E não suporto, não suporto essa ideia. Eu não quero ser uma formiga. To me sentindo muito sufocada e definitivamente não quero isso pra mim. Não me importa se vocês almejam essa vidinha monótona, de namorar um carinha certinho por cinco anos, formar, casar de véu e grinalda, ter três filhos e viver o resto da sua vida nesse marasmo, vendo Faustão enquanto seu marido ronca bêbado no sofá. Eu não quero isso pra mim, e só queria que vocês me respeitassem por essa escolha. Não suporto essa necessidade de manter no trilhos, fazendo tudo igual, tendo que ir à igreja todo domingo, tendo que guardar a minha virgindade o máximo que eu puder. Vocês tão me saindo um bando de hipócritas, que vestem seus lindos vestidinhos colados no corpo e vão dançar funk até o chão, vão se insinuar e pagar de gostosa se esfregando nos namoradinhos, mas que julgam e criticam quem vai pra lugares diferentes pra socializar, ouvir boa música e beber cerveja. Outra decadência e incoerência é vocês, que pregam o respeito e a fé acima de tudo, serem tão preconceituosos e desrespeitosos com quem gosta de pessoas do mesmo sexo, pra vocês é mais certo ser a outra ou saber se traída mas nada fazer, simplesmente para manter as aparência, não as julgo, foi assim com a mãe de vocês e provavelmente é isso que vocês passaram para as suas filhas. Mas eu não quero isso pra mim, estou cansada dessa farsa toda, essas normas estão cada vez mais me espremendo e sufocando, preciso de fugir enquanto ainda há tempo.

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