Meu pai sempre foi muito
especial pra mim. Minhas primeiras lembranças são dele. Lembro com tanto
carinho dos dias que ele chegava de viagem e eu ia correndo pra poder ganhar o
maior abraço do mundo. Lembro das férias que eu sempre viajava com ele. Lembro
com tanto amor das manhas de sábado em que, com toda paciência, ficava horas
cozinhando comigo na minha fornalhinha.
Nós dois sabemos que alguma coisa
mudou entre nós, não sei exatamente o que e nem soubemos lidar com essa
mudança. Me dói muito pensar nele, dói pensar nas seis quadras e nos cinco anos
que nos separa. Me deixa triste pensar que nesses cinco anos fiquei mais fria,
mais dura e que isso nos distancia cada vez mais. Fico muito, muito, muito
triste em pensar o rumo que a vida dele tomou, fico tão mal quando penso nisso
que, como boa covarde, me afasto, o que faz com que ele fique ainda mais
triste.
Sinto tanta falta do convivo
diário. De tomar café com o miolinho do pão de manha, da galinha do almoço e do
churrasco da tarde. Sinto falta de vê-lo chegar de viagem. Sinto falta de ir
pra roça com ele. Sinto falta das músicas que ele ouvia e dos programas de tv
que ele me fazia assistir, e que eu fazia manha mas no fundo gostava.
Mas uma coisa eu tenho certeza,
ele sempre vai ser aquele que eu mais amo e me preocupo. Que me trazia
chocolates sempre que voltava pra casa. Que me liga pra saber como eu estou.
Que nunca me deu uma bronca sequer, me apoiando em tudo. Que me fala
constantemente que eu sou a pessoa mais importante da sua vida e que me ama
mais que a todos. Que se orgulha muito de mim e carrega uma foto minha pra
mostrar pra todo mundo. Que nunca mediu esforços pra me ver feliz.
Foi com ele que ri tantas vezes e
por ele chorei tantas outras. É por ele que eu continuo buscando ser feliz. Ele
sempre vai ser o meu orgulho. Sempre vai ser o meu paizinho.
Marinosa, belo papai você tem. Só falta você chegar de surpresa, dar um abraço e obrigá-lo a assistir mtv pra vocês ficarem um tempinho juntos.
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